O futebol brasileiro tem vários personagens. Mas nenhum deles
tem o protagonismo de Edson Arantes do Nascimento. A importância de Pelé é
tamanha que é possível falar que, a partir dele, o mundo mudou a forma de ver
os jogadores e a seleção do Brasil.
A trajetória daquele que viria a ser
conhecido como o rei do futebol começa de forma muito comum. Nascido em 23 de
outubro de 1940, na cidade mineira de Três Corações, Pelé vem de “uma família
das classes populares, que trabalhava duro para educar os filhos”, diz o
pesquisador do MEMOFUT (Grupo Literatura e Memória do Futebol) Rodrigo
Saturnino.
Ainda na
infância, um fato parece definir sua relação com o futebol. Ao ver o pai, o
ex-jogador José Ramos do Nascimento, o Dondinho, chorar após a derrota da seleção
brasileira na final da Copa do Mundo de 1950, o pequeno Edson promete que
conquistaria o primeiro Mundial do país.
A qualidade de
Pelé era tamanha, que a ideia de que ele era o rei do futebol surgiu antes
mesmo da conquista de um título de expressão pela seleção. Jovem ainda, com 17
anos, meses antes da disputa da Copa de 1958, o dramaturgo Nelson Rodrigues se
referiu ao jogador da seguinte forma em uma crônica sobre o jogo entre America
e Santos: “O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E
Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: - a de se sentir
rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como
quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento”.
Ao completar 80 anos, é a hora, como diz Clodoaldo, de agradecer e de desejar que “tenha muita saúde, paz e felicidade. E claro, vida longa ao rei”.

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