É
perturbador perceber que os mesmos perfis em redes e em aplicativos de
mensagens que defendem esculacho da polícia em barraco de pobre em morros do
Rio ou na Baixada Fluminense postam horrorizados sobre a busca e apreensão pela
Polícia Federal na casa do vereador Carlos Bolsonaro em um condomínio
na Barra da Tijuca.
A
lei é a mesma e vale para todos, mas a busca e apreensão realizada pela PF,
nesta segunda (29), no Vivendas da Barra, onde o vereador e o seu pai, o
ex-presidente Jair Bolsonaro, têm imóveis, ao que tudo indica, foi
realizada respeitando os pertences e a propriedade do investigado. O que é
muito bom. Pois nem sempre isso acontece quando há o cumprimento de um mandado
em uma comunidade.
Aliás,
muitas vezes o pobre da comunidade nem está sendo investigado por nada e, mesmo
assim, tem sua casa atropelada pelas autoridades porque vira o “suspeito
miojo”, instantâneo. Deu azar de nascer no lugar errado, com a cor de pele
errada.
O caso da espionagem é grave e pode ter
abastecido com informações o Gabinete do Ódio, uma estrutura montada nas
dependências do Palácio do Planalto, com pessoas pagas pelo erário, para atacar
adversários políticos, partidos, juízes, jornalistas. Carluxo é apontado como o
responsável pelo bunker, inclusive pelo ex-faz-tudo de Jair, o tenente-coronel
Mauro Cid.
(Leonardo Sakamoto)

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