Sempre que Giordana Cardoso Ferreira, de 24 anos, vai preencher um
cheque, alguém se desespera do outro lado do balcão. Ela vira o talão de
ponta-cabeça e começa a escrever. “Dá aquele choque na pessoa: ‘Tu vai
preencher errado!’. Aí eu falo, é que eu escrevo assim!”, conta aos risos a
jovem, que trabalha como atendente e é moradora de Brusque, no Vale do Itajaí. A
habilidade de escrever com o papel virado de cabeça para baixo começou
naturalmente, ainda na infância, lembra Maria do Socorro, mãe de Giordana.
“Desde criança ela escreve assim. Achava bonitinho. Até hoje eu acho engraçado
como ela escreve, as pessoas ficam admiradas. Mas para mim já é normal”, diz a
mãe. A caligrafia é legível, e quem vê não diria que as letras foram escritas
de ponta-cabeça. “Sempre gostei de escrever. Como todo mundo entende o que eu
escrevo, nunca achei tão diferente”, conta Giordana. Canhota, ela diz que
escrever da maneira convencional é complicado depois de tantos anos. “Até
consigo escrever. Mas demoro um minuto para fazer meu nome. Com a página
virada, em menos de um segundo tá feita”, exagera a jovem. De acordo com o
neurologista João Felipe de Oliveira, que analisou as imagens de Giordana
escrevendo, trata-se de uma habilidade adquirida até mesmo involuntariamente.
Uma das hipóteses, segundo o médico, pode estar no fato de Giordana escrever
com a mão esquerda. Ao escrever de cabeça para baixo, segundo Oliveira, a jovem
evita problemas típicos dos canhotos, como borrar com a mão o que acabou de ser
escrito. “Assim, ela fica na mesma posição de um destro”, explica o médico.
(globo.com)
