O
encerramento do primeiro semestre legislativo no Congresso Nacional expõe uma
manobra de sabotagem por parte do Senado Federal contra os interesses da classe
trabalhadora. Com o início formal do recesso parlamentar no sábado (18), a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de
trabalho 6×1 foi deliberadamente paralisada, aguardando um despacho do
presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), relata o Metrópoles. Aprovada
pela Câmara dos Deputados no fim de maio, a medida contou com forte articulação
política e o aval do presidente daquela Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB),
estabelecendo a redução da jornada máxima semanal das atuais 44 para 40 horas.
Contudo, ao ingressar no Senado, a pauta de alto interesse popular foi contida
pela presidência da instituição. Alcolumbre tem
justificado publicamente a lentidão no andamento do texto sob o argumento de
que concederia um tempo “razoável” para que os senadores deliberem, declarando
ainda que a Casa Alta “não pode ser carimbadora” das decisões tomadas pela
Câmara.
17 julho 2026
Socorro a empresas e retaliação adiada: Como o governo decidiu reagir ao novo tarifaço dos EUA
O
governo reagiu ao novo tarifaço da gestão de Donald Trump de 25% sobre produtos
brasileiros exportados para os Estados Unidos a partir do dia 22 com sete nomes do
alto escalão refutando os argumentos apresentados pelos americanos. A reação
coube ao vice-presidente, Geraldo Alckmin, que classificou a medida como “injusta e
descabida”, e ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou tratar-se de “interferência
externa indevida”. Durigan ainda informou que o governo vai socorrer as
empresas afetadas, mas os dois baixaram o tom quanto a medidas de
reciprocidade. O presidente Lula reagiu nas redes sociais, dizendo que "não há justificativa" para a decisão da Casa
Branca. “Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e
enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa
para as tarifas anunciadas. Não vamos abrir mão de defender o nosso Pix, a
nossa soberania e os produtores brasileiros”, afirmou Lula na publicação. A
estratégia de resposta foi delineada na manhã de ontem. Segundo interlocutores
do Palácio do Planalto, o chanceler, Mauro Vieira, foi chamado por Lula e, no encontro, ficou
acertado que não caberia ao presidente comentar as declarações do secretário de
Estado americano, Marco Rubio, subordinado de Trump.
Tarifaço: A conexão Trump-Bolsonaro que custa bilhões ao Brasil
Países não têm amigos, mas interesses. E quando interesses de uns e de
outros entram em choque, eles tentam negociar ou então vão à guerra. Pode ser
por meio de aplicações de tarifas mútuas, que levem o lado mais fraco a ceder,
embora ele nem sempre ceda. Pode ser também por meio de armas, o que produz
mortes. No momento, os Estados Unidos combatem nos dois terrenos: o comercial,
via imposição de tarifas a quase todos os países do mundo sem poupar sequer
seus aliados históricos, e o sanguinolento, haja vista o que se passa no
Oriente Médio, onde o Irã continua debaixo de fogo letal e reage atacando bases
militares norte-americanas. As relações diplomáticas entre o Brasil e os
Estados Unidos têm mais de 202 anos. Elas começaram em 26 de maio de 1824,
quando os Estados Unidos reconheceram oficialmente a independência do Brasil,
proclamada dois anos antes por Dom Pedro I. O Brasil e os Estados Unidos nunca
guerrearam entre si. De lado a lado, barreiras comerciais e disputas tarifárias
ocorrem continuamente por meio de centenas de processos individuais
de antidumping, subsídios e medidas de salvaguarda. No entanto, a
imposição de pacotes generalizados de sobretaxas (os chamados “tarifaços”) só
se deu em ocasiões muito marcantes.
16 julho 2026
Pesquisa Quaest: Maioria culpa Flávio Rachadinha por tarifaço dos EUA
A maioria dos brasileiros atribui a Flávio Bolsonaro (PL) a
responsabilidade pelo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, enquanto
também cresce a desconfiança sobre a capacidade do senador de convencer o
presidente norte-americano, Donald Trump, a rever as medidas comerciais. Os
dados são de pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (16). Segundo o
levantamento, 51% dos entrevistados concordam com a versão apresentada pelo
presidente Lula (PT), segundo a qual Flávio Bolsonaro teria estimulado a adoção
de sanções contra o país ao procurar Trump. Outros 30% apoiam a explicação do
senador, que responsabiliza Lula por supostas provocações ao governo dos
Estados Unidos. O resultado representa uma mudança expressiva na percepção dos
eleitores em relação à pesquisa realizada em junho. Naquele mês, 47%
concordavam com a defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto 35% atribuíam ao senador
a responsabilidade pelas tarifas, como sustenta Lula.
Rachadinha e tarifaço dos EUA: Brasil diz que decisão é 'marco lastimável' e que acionará reciprocidade
Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas de 25% sobre
produtos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) disse que o dia 15 de julho "passará para a história das
relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Na mesma nota, o Brasil
informa que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada
pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A
lei brasileira, sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra
países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou
políticas contra o Brasil. A medida entra em vigor em 22 de julho. "O governo brasileiro
repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de
tarifas de 25% sobre produtos brasileiros", diz a nota divulgada pelo
governo Lula. A nova taxação é resultado de uma investigação comercial do
Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável
por formular a política comercial norte-americana. A apuração levou um ano, com
base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo
americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
15 julho 2026
Contra tarifaço de Trump: Governo Lula cogita usar reciprocidade
O governo Lula estuda adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos
aumentem as tarifas sobre as exportações brasileiras em até 37,5%. O prazo para
o anúncio da sobretaxa de 25%, fruto de investigação da seção 301 da Lei de
Comércio americana sobre práticas consideradas injustas, vence nesta
quarta-feira, 15 de julho. Outra investigação, sobre uso de trabalho forçado,
que atinge o Brasil e mais 59 países, recomenda a imposição de uma segunda
sobretaxa, de 12,5%. "A reciprocidade é uma alternativa porque a (decisão
americana) é ideológica e não comercial. Não há proposta que os atenda",
afirmou à coluna um experiente assessor presidencial com assento cativo na mesa
de negociações. Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mencionou a
possibilidade. "Acho que é provável que a gente, uma vez consultado o
presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", comentou. A Lei da
Reciprocidade Econômica foi aprovada pelo Congresso no ano passado e permite ao
Brasil responder a ações unilaterais de outros países. A definição cabe ao
conselho do Gecex (Comitê Executivo de Gestão), órgão da Camex (Câmara de
Comércio Exterior), ocupado pelos ministros da Fazenda, Indústria, Casa Civil,
Planejamento, Relações Exteriores, entre outros. Ou seja, a decisão é
iminentemente política.
Genial/Quaest: Lula lidera 2º turno com 45%; Flávio Bolsonaro tem 37%
Pesquisa
Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15/7) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as
intenções de voto na corrida eleitoral de 2026 em todos os cenários de primeiro
e segundo turnos. Contra seu principal adversário até o momento, senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista mantém a vantagem no
primeiro turno – abriu 12 pontos percentuais – e também no segundo: está 8
pontos percentuais à frente. Nas projeções de segundo turno, Lula aparece com 45% das
intenções de voto, contra 37% de Flávio. Na pesquisa anterior da Quaest, realizada em
junho, o petista registrou 44%, e o senador somou 38%. “Essa fragilidade
da campanha de Flávio pode ser justificada por alguns fatores. O mais
expressivo deles foi o conflito com Michelle Bolsonaro, que ficou conhecido por
apenas metade dos brasileiros. Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum
dano dentro da base potencial do Flávio, já que 35% da direita e 20% do
bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo”, analisa o
cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest.
13 julho 2026
MP do Frete: Caminhoneiros param em portos por votação
Caminhoneiros
são convocados a parar nos portos de todo o país a partir da 0h desta
segunda-feira, 13, para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre
(União-AP), a votar a chamada Medida Provisória (MP) do Frete antes que ela
perca a validade na próxima quinta-feira, 16. A mobilização foi anunciada por
Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de
Veículos Automotores (Abrava). A orientação de Chorão é para que os motoristas
não iniciem novas viagens enquanto aguardam uma definição da Casa. A convocação
não especifica quais portos serão afetados nem apresenta estimativa de adesão.
Contudo, uma interrupção na movimentação de caminhões pode causar atrasos
significativos nas operações de carga e descarga. Embora haja uma sinalização
de que o texto possa entrar na pauta na terça-feira, 14, Landim afirmou que a
mobilização será mantida até a confirmação da análise. “Não vamos aceitar perder
esta MP, não vamos aceitar caducar”, declarou.
Ferrou: Xandão suspende visitas de Flávio a Bolsonaro após divulgação de carta
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nesta segunda-feira (13)
suspender, durante 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência
da República, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, que cumpre prisão
domiciliar. Moraes considerou que Flávio Bolsonaro descumpriu decisão judicial
que proíbe postagens em redes sociais e caracterizou um desvio de finalidade do
direito de visita. Com a decisão do ministro, Flávio e Bolsonaro não poderão se
ver até meados de outubro, o primeiro turno das Eleições de 2026 será realizado
em 4 de outubro. Além disso, Moraes determinou um prazo de 48 horas para que a
defesa de Bolsonaro esclareça se ele tinha ciência de que a carta seria
divulgada nas redes sociais.
Reginaldo Monteiro
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