A revelação de parte do conteúdo dos depoimentos do ex-diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa provocou, nesta sexta-feira à noite, muita tensão
nos comitês das campanhas da presidente Dilma Rousseff (PT) e da ex-senadora
Marina Silva (PSB). Numa série de depoimentos iniciados semana passada, o
ex-diretor apontou o envolvimento de deputados e senadores, governadores e de
pelo menos um ministro com os desvios de dinheiro de contratos da estatal com
grandes empresas. Costa denunciou pelo menos 25 políticos vinculados a cinco
partidos (PT, PMDB, PP, PR e PTB). A maioria é de parlamentares federais em
campanha pela reeleição. Outros ocupam cargos executivos no governo federal e
em governos estaduais. Costa apontou, entre outros, um “operador do PMDB”,
político fluminense, atribuindo-lhe o papel de intermediário de aliados do
governo em negociações com empresas fornecedoras de bens e serviços à
Petrobras. A atuação desse político se estenderia à distribuição de propinas a
partir de contas no exterior. Costa aceitou fazer acordo de delação premiada e,
desde então, passou a dar detalhes aos procuradores federais sobre a estrutura
de corrupção e lavagem de dinheiro entre políticos e empresas contratadas pela
Petrobras em negócios intermediados pelo doleiro Alberto Youssef. O ministro da
Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Thomas Traumann, que
viria para o Rio nesta sexta-feira, desistiu da viagem e permaneceu em Brasília
para monitorar os desdobramentos da situação. A presidente Dilma Rousseff e o
ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), por sua vez, reuniram-se à noite no
Palácio da Alvorada. "A crise é séria", desabafou um assessor do
Planalto.
(O Globo)