Por ter
gritado "Fora, Bolsonaro" ao vivo após uma partida de vôlei de praia,
em setembro, a atleta Carol Solberg foi advertida pela 1ª Comissão Disciplinar
do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) na última terça-feira (13).
Na denúncia contra a jogadora, a subprocuradoria do STJD pedia pena máxima, com
multa de R$ 100 mil e suspensão de seis competições. Em vez disso, a jogadora
foi condenada ao silêncio até praticamente o fim da carreira, como desenhou em
outras palavras o presidente da comissão, Otacílio Araújo, para quem a
advertência serviu como "puxão de orelha".
"Se ela
repetir, pode ser punida de uma forma pior", alertou. Que a atleta fique
assim avisada. Ela e todo mundo que tenha no esporte um canal para manifestar
qualquer tipo de indignação. A de Carol Solberg foi um misto de exaltação e
desabafo. "Estava muito feliz por ter ganhado o bronze [EM QUE?] e, na
hora de dar minha entrevista, apesar de toda alegria ali, não consegui não
pensar em tudo o que está acontecendo no Brasil, todas as queimadas, a
Amazônia, o Pantanal, as mortes por covid e tudo mais. E me veio um grito
totalmente espontâneo de tristeza e indignação por tudo o que está
acontecendo", disse a jogadora, em sua defesa.
Tivesse
gritado "Viva o boi bombeiro", novo símbolo da proteção das florestas
inventado pelo atual governo, talvez Carol Solberg fosse hoje saudada como
patriota e não precisasse de puxão de orelha de marmanjos para poder voltar ao
esporte. Marmanjos não gostam de manifestação política. Marmanjos gostam de
espetáculo, e no espetáculo cabem apenas as vistas grossas, nem que seja para
jogador acusado de estupro.
Carol não
teve a mesma sorte dos colegas do futebol que em 2018 comemoravam gol fazendo
arminha com a mão ou que celebraram o título do Campeonato Brasileiro daquele
ano batendo continências ao presidente eleito, o convidado de gala na festa da
taça na Arena Palmeiras. O esporte que se assombra com manifestações políticas
quando partem da oposição é o mesmo que estende tapete vermelho a políticos em
troca de sabe-se-lá-o-quê. Na verdade, sabe-se sim.
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