11 setembro 2019

EM GENEBRA: OAB denuncia Brasil na ONU e governo insiste em chamar 1964 de "evento"

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pede que os mecanismos especiais da ONU façam um monitoramento e reforcem o acompanhamento sobre o comportamento do governo de Jair Bolsonaro de realizar um desmonte dos instrumentos de Justiça, Verdade e Memória no país. No primeiro discurso realizado pela OAB no Conselho de Direitos Humanos da ONU, a entidade fez questão de denunciar as ameaças que pairam sobre "o frágil processo de redemocratização" no Brasil e solicitar que os relatores da instituição internacional redobrem a atenção com o País, diante dos acontecimentos dos últimos meses e das repetidas declarações de Bolsonaro a favor de ditaduras sul-americanas. A iniciativa da OAB teve o apoio do Instituto Vladimir Herzog. As entidades ainda mandaram um comunicado às Nações Unidas para denunciar as medidas adotadas pelo governo e pedindo ações. A intervenção da OAB ocorre um dia depois que o governo brasileiro se recusou a responder se considera que houve um golpe de estado em 1964, num evento na ONU. Nesta quarta-feira, o governo voltou a se recusar a responder sobre os comentários elogiosos de Bolsonaro a ditadores no Cone Sul. "As políticas de justiça de transição estão sendo desmanteladas, seja por subfinanciamento ou pela substituição de funcionários por membros que não têm experiência ou afinidade com o tema e que, às vezes, minam o sofrimento dos sobreviventes e as atrocidades cometidas durante a ditadura", disse na ONU o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Hélio Leitão. "Além disso, o atual governo do Brasil tem repetidamente insistido em mudar a narrativa sobre as atrocidades cometidas durante a última ditadura, inclusive instruindo os militares a comemorar o golpe de Estado de 31 de março de 1964", apontou.
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