Lideranças evangélicas divulgaram
nesta quarta-feira um manifesto em que pedem a saída do deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados. No manifesto, assinado por
117 líderes, os evangélicos afirmam que “as ações do deputado Eduardo Cunha,
atual presidente da Câmara dos Deputados e que se identifica como evangélico,
merecem repúdio”. As lideranças fundamentam o pedido de saída de Cunha da
presidência da Câmara em “denúncias de corrupção e envio de recursos públicos
para contas no exterior”. No manifesto, elas dizem que as denúncias
“inviabilizam a permanência do deputado Eduardo Cunha no cargo que ocupa, uma
vez que não há coerência e base ética necessária a uma pessoa com
responsabilidade pública”. O grupo diz ainda que se opõe “enfaticamente” ao
apoio a Cunha por deputados da bancada evangélica e lideranças religiosas.
Segundo o documento, nos últimos anos, há uma forte tendência, “a partir da
crescente visibilidade política de lideranças eleitas em diferentes níveis, de
homogeneizar essa pluralidade e apresentá-la como se tais representantes fossem
a voz dos evangélicos”. “Afirmamos que, frente a casos como o que protagoniza o
atual presidente da Câmara dos Deputados, a corrupção não é a marca distintiva
da política para os evangélicos. Ela é a marca de certa "safra" de
representantes. Mas os evangélicos não são assim e não podemos mais deixar que
nos identifiquem como tal”, diz ainda o documento. O grupo também disse estar preocupado “com o atual momento da sociedade
brasileira, marcado por uma aguda crise política”. As lideranças afirmam que
“esse quadro se traduz nos conflitos institucionais entre os Poderes da
República, resultado também de um modelo de governabilidade frágil, que precisa
ser revisto através de uma profunda reforma política”.
(Band)