20 abril 2020

TIRO PELA CULATRA: Pregação de Bolsonaro contra STF e Congresso é explícita


Se, até este domingo, a constatação de que Jair Bolsonaro estava pregando um golpe — ou autogolpe — pedia alguma interpretação, ainda que óbvia fosse, a coisa agora mudou de figura. Ninguém precisa interpretar mais nada. É evidente que ele não disse a palavrinha "golpe" nem incitou, com exortação escancarada, os militares a silenciar os outros dois Poderes. Ocorre que disse o que disse em frente ao quartel-general do Exército, no dia dedicado à homenagem a essa Força, numa manifestação convocada justamente para defender o golpe militar e em favor de um novo AI-5. Fica a pergunta: é o que pensam os militares da ativa? Se não é, como a sociedade pode ter a certeza de que o limite de sua atuação será sempre a Constituição? Bolsonaro quer "a ação de quem"? A sua e a de seus seguidores, nós já conhecemos. É evidente que está fazendo um chamamento a uma intervenção das Forças Armadas, sob o seu comando e as suas ordens. A retórica é típica do golpismo, inclusive os apelos à suposta democracia direta. Sempre que forças dessa natureza se manifestam, aquilo a que chamam "vontade do povo" é, na verdade, a vontade de quem prega que se rasgue a Constituição. Afinal, esta não valeria mais do que aquela. Nessa perspectiva, esses grupos consideram que a sua vontade se sobrepõe àquilo que está explicitado na Carta. Com a manifestação deste domingo, defendendo abertamente um golpe, encerra uma semana em que deixou claro que seus inimigos são o Supremo e o Congresso, com os quais, diz, não vai "negociar nada". O que isso quer dizer?
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