Rio
de Janeiro tem amanhecido Belém, e todo dia Marias e Josés fogem para o Egito
como na época de Herodes, o reinado que foi marcado na história pelo
assassinato de crianças. Mais de dois mil anos depois, o sangue inocente
continua a escorrer, como um projeto de poder, contra toda a potência de reis e
rainhas negras, e nessa última semana, Ághata Félix, aos 8 anos, foi mais uma
vítima dessa máquina de matar em nome de Deus, mas ignorando que essas são as
filhas e filhos Dele. Jesus é incisivo e firme quando diz: “Deixem vir a mim as
crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são
semelhantes a elas” – Mateus 19:14. Jesus foi uma dessas crianças perseguidas,
vítimas do terrorismo de estado, advinda de uma família pobre e trabalhadora de
imigrantes. José, seu pai, um carpinteiro operário e sua mãe Maria, uma
camponesa. Ágatha Félix foi uma criança nascida em uma família pobre e
trabalhadora da favela de Fazendinha (Complexo do Alemão) no Rio de Janeiro.
Sua mãe testemunhou quando o disparo de fuzil da Polícia Militar atravessou
suas costas dentro de uma Kombi. Como no martírio de Jesus, Ágatha, antes de
morrer, ainda agonizou. Familiares da menina negam a informação dada pela
Polícia Militar de que, na hora do disparo que acertou a criança, equipes
policiais da UPP Fazendinha foram atacadas de várias localidades de forma
simultânea. Mas, infelizmente, esse projeto de poder nefasto não interrompeu
apenas a vida da pequena Ágatha. Somente neste ano, no Rio de Janeiro, outras
cinco crianças também foram vítimas de “bala perdida”, mas que só encontra
corpos negros. Kauê Ribeiro dos Santos, 12 anos; um garoto de 12 anos de nome
não identificado; Kauã Rozário, 11 anos; Kauan Peixoto, 12 anos; Jenifer Silene
Gomes, 11 anos.
(Trechos
extraídos de Marcelo Rocha
e Tabata Tesser)
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