12 junho 2019

LEVANTAMENTO: Desde 1985, 92% das mortes no campo por disputa de terra seguem sem solução


Entre 1985 e 2018, 1938 pessoas foram executadas em conflitos por terra, água e trabalho no Brasil e 1789 desses casos (92%) continuam sem qualquer responsável julgado ou preso. A informação é de um levantamento inédito da   Comissão Pastoral da Terra (CPT), que aponta os crimes e julgamentos registrados neste período. O trabalho escancara a impunidade que protege mandantes e executores há mais de três décadas, em especial no estado do Pará, onde foram registrados mais de 40% de todos os casos no país. Do total de mortes, apenas 370 tiveram suspeitos identificados, mas apenas 117 julgamentos foram realizados. As condenações foram realizadas apenas para pouco mais da metade dos mandantes apontados pela polícia e um terço dos executores identificados.  Jeanne Bellini, freira, agente da pastoral há quase 40 anos e contemporânea da missionária Dorothy Stang, assassinada em 2005 por pistoleiros no Pará, explica que a falta de investigações e a devida coleta de provas são os fatores que mais contribuem para a impunidade. “É muito difícil vermos uma condenação e, quando acontece, geralmente somente os executores são presos. Os mandantes seguem a vida impunes”, lamenta.  Segundo Bellini, mesmo com o trabalho constante de registro dessas mortes, há uma subnotificação do problema, uma vez que, na lista, estão registrados apenas os casos que as equipes da CPT conseguiram devidamente comprovar. “Sabemos que o número real de vítimas dos conflitos no campo é muito maior. Apesar de termos equipes por todo o país, não conseguimos cobrir todos os conflitos neste território imenso”, completa.
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