Entre 1985 e 2018, 1938 pessoas foram
executadas em conflitos por terra, água e trabalho no Brasil e 1789 desses
casos (92%) continuam sem qualquer responsável julgado ou preso. A
informação é de um levantamento inédito da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que aponta os
crimes e julgamentos registrados neste período. O trabalho escancara a impunidade que protege mandantes e executores há
mais de três décadas, em especial no estado do Pará, onde foram registrados
mais de 40% de todos os casos no país. Do total de mortes, apenas 370 tiveram
suspeitos identificados, mas apenas 117 julgamentos foram realizados. As
condenações foram realizadas apenas para pouco mais da metade dos mandantes
apontados pela polícia e um terço dos executores identificados. Jeanne
Bellini, freira, agente da pastoral há quase 40 anos e contemporânea da
missionária Dorothy Stang, assassinada em 2005 por pistoleiros no Pará, explica
que a falta de investigações e a devida coleta de provas são os fatores que
mais contribuem para a impunidade. “É muito difícil vermos uma condenação
e, quando acontece, geralmente somente os executores são presos. Os mandantes
seguem a vida impunes”, lamenta. Segundo Bellini, mesmo com o trabalho
constante de registro dessas mortes, há uma subnotificação do problema, uma vez
que, na lista, estão registrados apenas os casos que as equipes da CPT
conseguiram devidamente comprovar. “Sabemos que o número real de vítimas
dos conflitos no campo é muito maior. Apesar de termos equipes por todo o país,
não conseguimos cobrir todos os conflitos neste território imenso”, completa.
12 junho 2019
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog
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