A deputada Moema Gramacho (PT-BA) disse nesta terça-feira (22) na Câmara
dos Deputados que considera muito estranho o silêncio de seus colegas sobre o
fato de que a Polícia Federal vai investigar uma das herdeiras da TV Globo,
Paula Marinho Azevedo, filha de João Roberto Marinho, cujo nome consta em uma
anotação apreendida na sede da empresa Mossack & Fonseca, em São Paulo. “Fico
surpresa de ver a hipocrisia que reina aqui neste plenário. Eu não vi até agora
nenhum deputado de oposição, que se diz defensor do combate à corrupção, falar
que a Lava Jato chegou aos Marinho. Que a Lava Jato chegou a uma pessoa chamada
Paula Marinho”, questionou a deputada. A reportagem do portal Viomundo refere
que o documento manuscrito em que consta o nome Paula Marinho Azevedo
representa o controle de saldo de uma conta bancária, com entradas e saídas. Ao
lado do nome de Paula está o valor "+3.741" e um número (576764-15).
A investigação deve checar se este número é de uma conta que pertence à própria
Paula. Segundo a publicação, a Mossack mantem em funcionamento empresas de
fachada e cobra taxas por isso. As empresas geralmente são utilizadas para
ocultar patrimônio ou fazer dinheiro transitar até refúgios fiscais, onde os
impostos são mais baixos. A
reportagem teve acesso aos documentos e apurou que três empresas situadas em
paraísos fiscais estão associadas à empresa Glem, do marido de Paula e genro de
João Roberto Marinho, Alexandre. São elas: Juste, das ilhas Seychelles, A Plus
Holdings, do Panamá, e Vaincre LLC, de Las Vegas, Nevada. A empresa Mossack
está presente em diversos refúgios fiscais e assim facilita o trânsito de
dinheiro e dificulta o rastreamento das atividades do laranjal por autoridades
tributárias.
24 março 2016
Reginaldo Monteiro

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