Funcionários
da Prefeitura de São Paulo ajudaram órgãos de repressão a acobertar
assassinatos contra militantes políticos durante a ditadura militar, de acordo
com recente relatório da Comissão da Memória e Verdade do Executivo paulistano.
A ação desses servidores teria sido permitir que pessoas fossem enterradas com
identidades falsas ou forçar famílias a fazer enterros com caixão lacrado a fim
de ocultar violência nos corpos das vítimas. Segundo o relator da comissão,
Fermino Fechio, corpos de vítimas da repressão militar chegaram a ser
enterrados em mais de 15 cemitérios da capital. São considerados tanto
desaparecidos quanto pessoas cujas mortes foram assumidas publicamente pelas
autoridades na época. De acordo com ele, as suspeitas se baseiam no trabalho de
análise de documentos expedidos pela Prefeitura e registros feitos pelos
cemitérios. "Não foi descuido. Havia uma política de colaboração com a
ditadura por parte da Prefeitura. Era uma política deliberada", afirma
Fechio. A comissão acredita que militantes políticos foram enterrados como
indigentes em valas comuns nos cemitérios do Jardim São Luís, bairro da zona
sul da capital, e no de Quarta Parada, na zona leste. Até agora, os locais
conhecidos por entidades de direitos humanos eram a localizadas no cemitério de
Perus, na zona norte, e no de Vila Formosa, na zona leste. Para a presidente da
comissão, Teresa Lajolo, muitos corpos que foram lançados como indigentes nos
registros do município possuíam identificação. "O relatório aponta o
problema dos indigentes. Eles eram, vamos dizer, produzidos, por meio de uma
forma de verificação feita pelo serviço de óbitos. Muitas vezes eram pessoas
que tinham todos os elementos para a identificação e a família não era
contatada", diz.
(Estadão)
