Bebe detergente, bolsonarista;
bebe detergente!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão detergente.
Vou ser punido pelo deus que cuida da Fonte de Hipocrene. Ou, então, levarei um
coice de Pégaso por fazer o que fiz, apelando a versos de Fernando Pessoa no
célebre “Tabacaria”.
Lá
está escrito:
Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo
senão chocolates.”
Trata-se de um poema do
heterônimo Álvaro de Campos que soma a um só tempo o fatalismo das coisas como
são e o desconsolo de quem assim não as queria, mas não o suficiente para sair
de sua mansarda. Obra de gênio. Flávio Bolsonaro talvez até ache imprópria a
adaptação que fiz. Certamente diria que a metafísica está nos chocolates —
além, claro!, de tudo o que lhe deram de físico e palpável…
Resistirei ao desencanto, mesmo com bolsonaristas mobilizados nas redes contra a Anvisa, a apontar severos fantasmas da tentativa de dominação ideológica onde há apenas decisão técnica.
A campanha antivacina está de volta. Se, antes, não acreditavam no vírus ou no imunizante, agora tratam um parecer técnico como se fosse manifestação ideológica e, de maneira irresponsável, estimulam as pessoas a consumir o produto. Figurões da vida pública lá estão lavando a sua loucinha, com a cara da impostura: o senador Cleitinho (Republicanos), pré-candidato ao governo de Minas; o coronel Mello Araújo (PL), vice de Ricardo Nunes; o empresário Luciano Hang, entre outros. Michelle também postou um frasco do detergente.

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