17 setembro 2015

Ouvidor da Polícia de SP propõe comissão para investigar grupos de extermínio

O número de vítimas de chacinas na capital paulista cresceu de tal forma neste ano que pode levar a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo a reinstalar a Comissão Especial Para Redução da Letalidade em Ações Envolvendo Policiais, abandonada há quatro anos. Essa é uma das propostas de Julio Cesar Fernandes, Ouvidor da Polícia paulista – espécie de ombudsman, que acompanha casos e avalia a atuação das corporações no Estado – para a reunião do Conselho da Ouvidoria, realizada ao lado de outros dez integrantes do órgão, nesta quinta-feira (16), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo. O objetivo é propor alternativas para diminuir a quantidade de mortes praticadas por agentes em território paulista. "Temos uma série de denúncias, faltam as comprovações. O fato é que existem grupos de pessoas dentro das polícias que têm praticado execuções. Só no ano passado, tivemos 801 mortos em confrontos com a polícia, de acordo com os dados oficiais. Não dá para acreditar que esse número é normal", afirma Fernandes em entrevista. "Isso ficou muito claro na semana passada no [bairro] Butantã: o policial pega a arma para mudar a cena do crime.... Tudo, fica claro, foi previamente combinado. Só que o depoimento dos agentes diz que as mortes foram legítima defesa. Se não tivéssemos as filmagens, esses assassinos fardados seriam tratados como heróis." O caso abordado é apenas mais um da série de crimes cometidos por policiais, segundo investigadores. No feriado de 7 de setembro, dois suspeitos de roubo foram mortos por agentes no Butantã, na zona oeste paulistana. A princípio, o caso era tratado como troca de tiros e legítima defesa. No entanto, um vídeo de câmera de segurança logo revelou a farsa nos depoimentos dos envolvidos.
(IG)
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