O número de vítimas de chacinas na capital paulista cresceu de tal forma
neste ano que pode levar a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São
Paulo a reinstalar a Comissão Especial Para Redução da Letalidade em Ações
Envolvendo Policiais, abandonada há quatro anos. Essa é uma das propostas
de Julio Cesar Fernandes, Ouvidor da Polícia paulista – espécie de ombudsman,
que acompanha casos e avalia a atuação das corporações no Estado – para a
reunião do Conselho da Ouvidoria, realizada ao lado de outros dez integrantes
do órgão, nesta quinta-feira (16), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) de São Paulo. O objetivo é propor alternativas para diminuir a quantidade
de mortes praticadas por agentes em território paulista. "Temos uma série
de denúncias, faltam as comprovações. O fato é que existem grupos de pessoas
dentro das polícias que têm praticado execuções. Só no ano passado, tivemos 801
mortos em confrontos com a polícia, de acordo com os dados oficiais. Não dá
para acreditar que esse número é normal", afirma Fernandes em entrevista. "Isso
ficou muito claro na semana passada no [bairro] Butantã: o policial pega a arma
para mudar a cena do crime.... Tudo, fica claro, foi previamente combinado. Só
que o depoimento dos agentes diz que as mortes foram legítima defesa. Se não
tivéssemos as filmagens, esses assassinos fardados seriam tratados como
heróis." O caso abordado é apenas mais um da série de crimes cometidos por
policiais, segundo investigadores. No feriado de 7 de setembro, dois suspeitos
de roubo foram mortos por agentes no Butantã, na zona oeste paulistana. A
princípio, o caso era tratado como troca de tiros e legítima defesa. No
entanto, um vídeo de câmera de segurança logo revelou a farsa nos depoimentos
dos envolvidos.
(IG)
