A ação da máfia do ICMS em São Paulo
levou a multinacional Prysmian a fechar uma fábrica em Jacareí, no interior
paulista, e transferir parte da produção de cabos e sistemas de energia para
uma nova planta na cidade de Joinville, em Santa Catarina. A informação consta
na denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra nove agentes
suspeitos de integrar a quadrilha. A decisão ocorreu após uma segunda extorsão
praticada por fiscais de Taubaté naquela unidade. "Após a ocorrência desse
fato, inconformado com a corrupção institucionalizada pelos acusados, sem
qualquer controle, o presidente da Prysmian determinou o encerramento da
industrialização e laminação do cobre em Jacareí, transferindo sua produção
para uma nova fábrica em Joinville, Santa Catarina", destacam os
promotores do Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) na
denúncia, oferecida à Justiça no mês passado. O relato foi feito pelo
presidente da Prysmian à época, Armando Comparato Júnior. Segundo ele, os
fiscais "foram implacáveis na exigência de dinheiro" para não aplicar
multas "astronômicas" por sonegação de ICMS. Cerca de R$ 17 milhões
foram pagos em propina a fiscais, entre 2006 e 2013, nas três cidades onde
atuava. Após o término das extorsões, a empresa investiu R$ 42 milhões na
ampliação das três fábricas em Sorocaba. Outra unidade funciona em Santo André.
A ação criminosa que teria levado a Prysmian a fechar a fábrica em Jacareí
ocorreu em 2008. Segundo a denúncia, os fiscais Ulisses Freitas dos Santos e
Marcelo da Silva dos Santos fizeram uma fiscalização na fábrica para apurar
sonegação fiscal e cobraram cerca de R$ 2,25 milhões de propina para reduzir o
valor da multa a ser aplicada.
(Notícias ao Minuto)