A dificuldade em convencer os petistas a aprovarem o pacote fiscal
proposto pelo governo na Câmara expôs a indisposição do partido da presidente
Dilma Rousseff em “engolir” a política econômica conduzida pelo ministro
Joaquim Levy. Além de não concordarem com o ajuste, a forma com que o governo
conduziu as conversas preliminarmente irritou o partido, que reclama de sempre
pagar mais pelos erros de condução do governo. O descontentamento não se
restringe às correntes de esquerda do partido. É generalizada. Os petistas se
queixam de que o governo não explicou as medidas, não conversou de forma
satisfatória com as centrais sindicais e que as peças publicitárias sobre o pacote
saíram tardiamente. Desta forma, considerou um dirigente, o ônus ficou com o
partido, acusado de trair a causa trabalhista. O governo só lançou as peças
publicitárias no início de maio, quando criou a página “ajustar para avançar”, com um vídeo de um minuto sobre o tema,
uma hashtag com o slogan nas redes sociais. Antes disso, havia lançado somente
uma cartilha sobre o tema. Embora no último momento, o partido tenha votado na
Câmara, segundo a orientação do governo para aprovar as duas medidas
provisórias, petistas, em reservado, falavam sobre a contrariedade de se votar
o ajuste sobre direitos dos trabalhadores. “Ninguém aqui votou feliz”, disse um
dos deputados.
(Último Segundo)