Foi durante a ditadura militar que as
maiores atrocidades foram cometidas contra os que se opunham ao regime. Neste
período os estudantes, os intelectuais, os engajados políticos, foram as
principais vítimas do sistema que contestavam. Em plena Guerra Fria, a elite
brasileira posicionou-se do lado dos Estados Unidos e da direita ideológica.
Ser comunista passou a ser
terrorista. Combatê-los era, segundo a visão do regime, defender a pátria de
homens que comiam criancinhas, pregavam o ateísmo e destruíam as igrejas e os
conceitos familiares. No engodo de proteger o Brasil da ameaça comunista,
instalou-se uma ditadura, que para manter os princípios da caserna ortodoxa,
calou, torturou e matou sem o menor constrangimento, centenas de brasileiros.
A tortura durante o período do regime
militar não livrou o Brasil dos militantes de esquerda, tampouco destituiu da
mente das pessoas o direito à liberdade de expressão que todos sonhavam. Se na
sua propaganda o regime salvou o Brasil de terroristas comunistas, nos seus
porões ela garantiu a sobrevivência de 20 anos de um Estado ilegítimo, feito
sob a força bruta e o silêncio dos seus cidadãos.
(Luis Nassif)