Promulgada na última semana do ano passado, a lei
do marco temporal das terras indígenas deverá ser alvo de disputa no STF (Supremo
Tribunal Federal) em 2024. O Supremo já recebeu duas ações contra e uma a favor
da lei do marco temporal. Os processos foram movidos dias depois de ter entrado
em vigor a versão mais dura do texto, que passou a valer após o Congresso
derrubar a maioria dos vetos que haviam sido aplicados pelo presidente Lula
(PT). A disputa vai opor partidos da base e da oposição a Lula. Do lado
governista há um processo movido por PSOL, Rede e Apib (Articulação dos Povos
Indígenas do Brasil) e outro por PT, PCdoB e PV, contra a lei do marco
temporal. Já o PL, o PP e o Republicanos entraram com uma ação para garantir a
validade do texto. Houve divergência na base governista. Enquanto PSOL, Rede e
Apib pediram a derrubada da lei na íntegra, a outra ação (do PT, PCdoB e PV)
quer anular apenas os trechos que Lula havia vetado, mas que foram revalidados
pelo Congresso. Esses trechos não só legitimam o marco temporal como criam novas
dificuldades às demarcações. A lei aprovada corroborou a tese do marco
temporal, segundo a qual indígenas só têm direito a terras que ocupavam à época
da Constituição de 1988. Não se sabe quando o STF examinará a questão. A lei
aprovada contrariou decisão do Supremo, que invalidou em setembro a tese do
marco temporal após sete anos de julgamento. O STF voltará do recesso em 1º de
fevereiro.
04 janeiro 2024
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog
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