O senador Marcos do Val (Podemos-ES), que foi alvo de uma operação da Polícia
Federal nesta quinta-feira, teve acesso já no final de janeiro ao relatório que
a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou à comissão do Congresso que
controla os órgãos de inteligência do governo federal. Segundo
informações apuradas junto a fontes da Comissão Mista de Controle das
Atividades de Inteligência (CCAI), que reúne deputados e senadores, Do Val foi
o segundo a ter acesso aos papéis, logo depois que eles chegaram à comissão, no
dia 20 de janeiro. Esperidião Amin (PP-SC) foi o primeiro a ter acesso
aos papéis, no dia 21 de janeiro. O relatório continha uma coleção de mensagens
enviadas por agentes da Abin a autoridades do governo federal nos dias
anteriores aos atos do dia 8, alertando sobre o risco de invasão das sedes dos
Três Poderes. A resolução que regula a CCAI obriga os membros da comissão a
manter sigilo sobre os documentos de inteligência a que têm acesso. Esse
primeiro relatório da Abin estava disponível em papel e em formato digital, que
podia ser aberto mediante a apresentação de uma senha específica. Na noite
desta quinta-feira, questionei a assessoria de imprensa de Do Val sobre como
foi seu acesso ao documento, mas não obtive resposta. A ordem de busca e
apreensão assinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes ainda
é sigilosa. Pelo que se sabe até agora, Do Val está sendo investigado por
tentativa de golpe de estado e tentativa de abolição violenta do Estado
Democrático de Direito.
(OGlobo)

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