Gravações
em situações no mínimo constrangedoras. Numa delas, o presidente Jair Bolsonaro
foi pilhado em flagrante pedindo a um parlamentar do PSL que apoiasse o nome do
filho à liderança do partido. Do contrário, tal parlamentar sentiria a vingança
presidencial, puro estelionato: “Assina, senão é meu inimigo”. Aos que
assinaram, foram distribuídos cargos públicos e promessas de ganho de recursos
do fundo partidário. Depois dessa operação, Bolsonaro foi chamado de
“vagabundo” pelo correligionário Delegado Waldir, que ameaçou “implodir” o
governo. No submundo dessas tramoias, surgiram ameaças, denúncias e
demonstrações explícitas de que muitos podres restavam escondidos ou não
estavam devidamente protegidos, vindo à tona em debates acalorados. ISTOÉ
mergulhou nos últimos dias nos subterrâneos dessas disputas e negociatas
bolsonaristas, ouviu diversos interlocutores, checou inúmeros dados e descobriu
uma assombrosa malha de práticas criminosas que já levaram no Brasil, legal e
legitimamente, à abertura de processos de impeachment do mais alto mandatário
da Nação – e, a se fazer valer a Constituição, poderia também encaminhar o
atual presidente para idêntico destino. São situações e práticas que ferem o
decoro de forma clara. Eduardo, ao lançar
mão do dinheiro do povo para a lua de mel, exerceu a deslealdade. Mas tem mais:
ISTOÉ descobriu a manutenção de uma poderosa rede de milicianos digitais
operados diretamente pelo Planalto, promíscuo fato que joga na marginalidade a
República brasileira, transformando-a em republiqueta de fundo de quintal. Os
Bolsonaro não se dão por satisfeitos com o domínio territorial que já
conseguiram. Querem agora controlar todo o PSL nacional, dono de um fundo
partidário de R$ 150 milhões anuais e de um fundo eleitoral estimado em R$ 500
milhões para os pleitos de 2020 e de 2022, quando o “Mito” pretende ser
candidato à reeleição. A farra por cargos na atual gestão atingiu um
ponto tão descarado que até o ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro,
Fabrício Queiroz, saiu de seu esconderijo para gravar um áudio divulgado por
grupos de Whatasapp, no qual indica que continua influente na divisão de
empregos públicos, com direito à “rachadinhas”. ““Eduardo usa como
seguranças pessoais policiais ligados à milícia carioca”, segundo o deputado Júnior
Bozzella (PSL). Agora ficou bastante claro o que a deputada Joice quis dizer
quando sabia o “que eles fizeram no verão passado”.
(Extraído de ISTOÉ)

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