12 maio 2019

CIENTISTAS TEMEM APAGÃO: Projetos de pesquisa são cancelados sem aviso


O cenário criado pelo contingenciamento de verbas nas universidades brasileiras só se compara ao que havia nos tempos de hiperinflação dos anos 1980 e 1990, dizem cientistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. "São muitas histórias ruins. Voltaram problemas que só aconteciam na época da inflação, como cancelar projeto aprovado ou em andamento. No caso de um dos meus, deixaram de pagar um terço da verba vinda do CNPq", conta Fabrício Santos, um dos principais geneticistas do país e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Projetos sobre o impacto dos desastres de Mariana e Brumadinho na fauna do rio Doce, por exemplo, foram paralisados na universidade. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, é uma das grandes fontes de financiamento federal à pesquisa no Brasil. A outra é a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ligada ao Ministério da Educação. Os órgãos, que já passavam por uma trajetória de perda de verbas desde o governo Dilma, sofreram novos reveses na gestão Bolsonaro. Mais de 40% do orçamento do Ministério da Ciência foi contingenciado, e quase 5.000 bolsas de mestrado e doutorado da Capes, consideradas "ociosas", foram congeladas sem aviso prévio nesta semana.
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