Você já deve ter
reparado, observando bebês e crianças bem pequenas à sua volta, como é comum
vê-los pegando quaisquer objetos que veem pela frente e os colocando dentro da
boca. Certo? Sabe por que isso acontece? Pois bem, a boca é a zona corpórea
inaugural que possibilita ao bebê um encontro com o outro e com o mundo. Tal
movimento concede uma experimentação, um sentir de sabores, texturas, trazendo
um conhecimento mais apurado, enfim, do que se trata o novo objeto encontrado
pelo seu caminho, explorando o seu entorno através da oralidade.
Não podemos deixar de
mencionar a função que a amamentação tem neste processo inicial do
desenvolvimento. Quando o bebê mama, várias sensações acabam invadindo esse
corpo, essa boca, que suga, morde, toca o bico do seio da mãe e dele retira o
leite, alimento fundamental para a sua sobrevivência. Para além do
abastecimento nutricional, ao olhar nos olhos da mãe, o bebê também busca a
verdade de seus sentimentos, o amor, alimento fundamental para sua alma humana,
experimentando neste encontro uma sensação prazerosa, que irá provavelmente
querer repetir para obtê-la novamente. A chupeta, a mamadeira, o beijo, mais
para frente, talvez sejam atividades que venham a atualizar essa primeira
vivência corpórea gostosa.
Nesse impulso que os
leva às descobertas, os pequenos vão provando sensações muito peculiares de
duro, mole, quente, frio, áspero, azedo, doce, entre outras inúmeras percepções
viabilizadas pelo tato e paladar da boca, que lhes darão maior familiaridade
com as coisas, revelando o que gostam e o que não gostam, o que são capazes de
fazer com seus lábios, gengivas, língua etc., encontrando potencialidade nesses
gestos investigativos.
Por isso, o modo como
os pais e/ou cuidadores interagem com as crianças nesses momentos iniciais de
intensa auto exploração, deve partir de um olhar atento e zeloso, para que elas
possam crescer em segurança e sentindo confiança em relação a si mesmas e aos
adultos que a cercam. Mostrar o que pode e o que não pode ser inserido na
cavidade bucal, fazer um desmame com calma e gradativamente, substituindo o
peito ou a mamadeira por outros objetos e alimentos que deem conta de
satisfazer essas demandas de prazer, contato e sustento são de crucial
importância.