Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o
empreiteiro Ricardo Pessôa, dono da Construtora UTC e delator da operação Lava
Jato, confirmou ter feito doações às campanhas presidenciais de Dilma Rousseff
(PT) e de Aécio Neves (PSDB). A informação foi divulgada ontem no blog do
jornalista Josias de Souza, no portal UOL. No conteúdo do depoimento, dado em
setembro na ação na investigação judicial eleitoral aberta contra a chapa
presidencial encabeçada por Dilma e por seu então vice, Michel Temer (PMDB),
Pessôa contou que a empresa repassou R$ 7,5 milhões para a candidata petista e
R$ 4,5 milhões para o rival tucano. No interrogatório, o empreiteiro informou
que o dinheiro saiu do mesmo caixa das empresas do Grupo UTC, que era
unificado. O empreiteiro ainda esclareceu que fez as doações maiores à campanha
petista prevendo continuidade do governo e, consequentemente, dos negócios já
fechados. O processo contra a chapa Dilma/Temer foi movido pelo próprio PSDB,
que pede à Justiça Eleitoral que casse os mandatos de ambos. Além de Ricardo
Pessôa, outras testemunhas ouvidas pelo TSE em setembro tiveram seus
depoimentos revelados nos últimos dias. O conteúdo revela, por exemplo, um
diálogo entre Pessôa e o advogado de Dilma na ação, Flávio Caetano: “Tanto a
doação à campanha eleitoral de Dilma e Temer e a doação para a campanha de Aécio
e Aloysio (Nunes Ferreira) tiveram origem na mesma conta corrente, da UTC. É
isso?”, questionou o advogado. “Não sei se da mesma conta corrente, mas do
caixa, do capital de giro, do caixa da UTC Engenharia, Constran e UTC
Participações, que era unificado”, respondeu o empreiteiro. Na sequência, o
delator afirmou que os recursos não têm “absolutamente” qualquer relação com
eventuais comissões ou propinas de contratos com a Petrobras e garantiu que a
origem de doações a Aécio e a Dilma eram a mesma coisa. O empresário foi ouvido
pelo ministro Herman Benjamin, que é corregedor do TSE, e pelo juiz auxiliar
Bruno Cesar Lorencini.
(IG)