O governo Temer teve início nesta quarta-feira (31). Não somente pela
destituição do cargo de Dilma Rousseff, mas porque, naquela mesma tarde, chegou
ao Congresso Nacional a proposta confeccionada pela nova equipe econômica para
a distribuição do dinheiro federal para o ano de 2017, o chamado Orçamento da
União. Fazendo uma análise aprofundada da lista de programas de governo, em
comparação à proposta apresentada em 2015, pela ex-presidente petista, a tese
defendida publicamente pelos peemedebistas e apoiadores do impeachment de que o
novo governo não iria deixar os programas sociais em segundo plano cai por
terra. De acordo com o site The Intercept Brasil, sinais já haviam sido dados
sobre esta questão, com extinção de pastas da área, e gerado reação em setores
progressistas da sociedade. O que se vê na avaliação do Orçamento vai além.
Michel Temer acaba de propor ao Congresso a redução média de 30% nos valores
para os 11 principais programas da área social do governo, já considerando a
inflação do período (variação do IGP-M dos últimos 12 meses). São R$ 29,2
bilhões a menos para esse conjunto de programas (depois de aplicada a taxa de
inflação no período), comparado ao que Dilma, já sob efeito da crise econômica,
apresentou ao Congresso no ano passado. A queda real é de 14%. Simpatizantes do
novo governo podem argumentar que, neste momento, essa redução é natural, visto
que o país precisa apertar seus gastos. No entanto, as despesas previstas pelo
governo para este ano são da ordem de R$ 3,4 trilhões – cerca de R$ 158 bilhões
a mais (crescimento de 4,8%) que o previsto por Dilma um ano atrás. Se
aproximarmos os olhares, o argumento perde ainda mais força. Enquanto optou por
diminuir as verbas sociais, o governo aumentou, por exemplo, em R$ 1,47 bilhão
as verbas programadas para ações relacionadas ao desenvolvimento do agronegócio
(R$ 1,3 bilhão), a investimentos militares (R$ 175 milhões), a obras em
aeroportos (R$ 186 milhões), além de ações de política nuclear e espacial, e de
política externa, que agora são lideradas por José Serra (PSDB).
04 setembro 2016
Reginaldo Monteiro

Administrador do Blog

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