Poucos dias depois de completar um mês de existência, a Rede
Sustentabilidade de Marina Silva ainda não é um ator político bem definido.
Seus líderes no Congresso admitem que o partido não deliberou sobre questões
importantes como se defenderá ou não o Impeachment da presidente Dilma Rousseff
(PT). Também não tem um caminho claro quanto aos projetos que neste final de
ano serão prioridade na agenda do governo no Congresso. A única coisa clara neste
um mês de vida é que o plano de governo do partido não será o mesmo que Marina
apresentou quando candidata em 2014. Alvo de muitas críticas em função de
algumas correções e revisões de última hora, o plano apresentado por Marina em
2014 defendia entre outras coisas, a independência do Banco Central. Na página
46 do Plano de Governo da então candidata lia-se algo que os líderes da Rede no
Congresso Nacional parecem rejeitar. “Assegurar a independência do Banco
Central o mais rapidamente possível, de forma institucional, para que ele possa
praticar a política monetária necessária ao controle da inflação”. “Aquelas
propostas não eram de Marina. Aquelas propostas foram as que Marina herdou da
candidatura de Eduardo Campos à presidência da República. Não eram as propostas
da Rede. Ali seria inclusive uma indelicadeza com a tragédia que aconteceu na
campanha se Marina alterasse aquele programa de governo. O programa que
queremos para o Brasil ainda está em construção”, diz o líder da Rede no
Senado, Randolfe Rodrigues (AP), egresso do PSOL. “Não posso falar pela Rede,
mas posso dizer o que acho que não é da Rede. Por exemplo, independência do
Banco Central. Acho que independência do Banco Central não cabe numa economia
como a nossa. Não cabe e não se justifica”, critica Randolfe. Segundo o
senador, sua ideia é propor a composição de um grupo de trabalho na reunião da
Executiva Nacional, marcada para novembro, para que o futuro programa de
governo da Rede comece a ser desenhado.
(IG)