30 outubro 2015

Meio ambiente exige diversificação da matriz energética de transportes

O perfil das emissões de gases de efeito estufa no Brasil tem mudado desde o início da década de 90 do século passado. A queda nas taxas de desmatamento da Amazônia foi neutralizada pelo aumento da frota de veículos e o predomínio dos caminhões movidos a diesel no transporte de mais da metade das cargas produzidas no País. Resultado: o setor de energia passou a representar 29% das emissões totais, quase o triplo dos 11% em 2003. Enquanto no mundo a indústria do carvão é a principal emissora de poluentes, no Brasil, a culpa é do petróleo, cuja cadeia respondeu por 72% das emissões de dióxido de carbono em 2013, segundo o relatório do Observatório do Clima divulgado em agosto. No mundo, o carvão integra as matrizes de produção de energia eletrotérmica, enquanto o perfil brasileiro de emissões no setor está relacionado ao uso de óleo no transporte (39,8%), na indústria (20,3%), na geração de eletricidade (16,5%) e na produção de combustíveis (6,5%). Nos últimos dez anos, o segmento de transportes foi o que apresentou as mais elevadas taxas de crescimento do consumo de energia, 5,6% ao ano entre 2003 e 2013. O perfil de demanda é liderado pelo modal rodoviário, que respondeu por 93% do consumo em 2013, e pela pesada dependência do petróleo, que respondeu por 81% do consumo de combustíveis. O transporte de cargas produziu 97 milhões de toneladas de dióxido de carbono em 2013, o que correspondeu a 46% das emissões do setor. “O Brasil é um país sobre rodas. Serão necessários muitos anos para mudar essa realidade”, afirma o coordenador do núcleo de logística esupply chain da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende. O desafio é diversificar a matriz de transportes e avançar no uso de etanol e biodiesel nos tanques de caminhões e máquinas pesadas. O modal rodoviário consome cinco vezes mais que o ferroviário e sete vezes mais que a cabotagem. Destravar os investimentos no setor sucroalcooleiro exigirá manter a autonomia da Petrobras para reajustar os preços dos derivados e o reforço financeiro das empresas que atuam no segmento. Desde 2010, mais de 60 usinas de açúcar e etanol fecharam ou ingressaram na Justiça com pedido de recuperação.
(Carta Capital)
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