13 outubro 2015

BAURU: Padre excomungado cria igreja "sem preconceito"

Fora da Igreja Católica desde abril de 2013, o padre Roberto Francisco Daniel, conhecido como padre Beto, celebrou nesse domingo em Bauru, no interior de São Paulo, a primeira missa na sede própria da nova denominação fundada por ele, a "Humanidade Livre". A igreja é criada quase nove meses após a primeira missa alternativa celebrada, ainda de forma improvisada, no ginásio poliesportivo do Greb (Grêmio Recreativo Energético de Bauru) - onde os cultos religiosos vinham acontecendo desde então. "Somos muito gratos ao Greb, mas precisávamos de uma sede própria. É um sonho que vai sendo realizado. A sensação que a gente tem é de deixar um legado mesmo. Uma proposta que não seja centrada na minha figura, mas que continue. Continue fazendo o bem para as pessoas", justifica o padre com um largo sorriso. Cerca de 120 pessoas participaram da celebração que teve início às 19h30 e durou pouco mais de uma hora. Além das leituras bíblicas e ritos similares aos católicos, algumas músicas embalaram os fiéis, sendo elas Andar com fé de Gilberto Gil, A paz de Zizi Possi, Carinhoso de Pixinguinha e Romaria, de Renato Teixeira - sendo esta última em homenagem ao dia de Nossa Senhora Aparecida, comemorado nessa segunda-feira (12). Entre os fiéis estava a aposentada Jupira Rodrigues, 81 anos. Ela conta que frequentava as missas celebradas por Beto em paróquias da Igreja Católica e que depois da excomunhão só retornou em ocasiões específicas. "Só em missa de sétimo dia, por exemplo. Foi uma injustiça muito grande o que fizeram com ele. Isso [excomunhão] não quer dizer nada pra nós. Ele é muito querido, um 'senhor padre'", elogiou. Já os músicos Marco Belinasi e a esposa, Regina Mancebo, tocam voluntariamente nas missas desde o início. Eles e outros profissionais se revezam aos domingos. "Recebemos um convite e como a gente já conhecia ele, e como o nosso repertório é bem vasto, resolvemos participar. E a proposta dele é essa, não colocar muitas músicas sacras. Tem muitas músicas brasileiras muito bonitas pra se cantar. É sempre bom participar das missas, é gratificante. E a palavra dele é moderna, fala de forma mais simples. Estar na companhia dele é agradável", disse Marco.
(Terra)
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