Pressionada
pela base aliada, a presidente Dilma Rousseff estuda alterações no comando da
Casa Civil, mas a decisão não está tomada e nem está sendo debatida abertamente
no governo, disseram auxiliares próximos à presidente. As definições devem
ocorrer no fim de semana e o anúncio no início da próxima semana, disseram as
fontes. Durante jantar no Palácio do Alvorada na segunda-feira, os governadores
da base aliada somaram-se à pressão para que Aloizio Mercadante seja substituído
na Casa Civil. Com o ministro na sala, alguns dos presentes cobraram mudanças
drásticas na articulação política, sem citar nominalmente Mercadante, disse uma
fonte que participou do encontro. Apesar de não ser diretamente responsável
pela área, o chefe da Casa Civil é conhecido por interferir na relação
política, segurar e trocar nomeações, criando atritos na Câmara e no Senado e
mesmo dentro do governo. O vice-presidente Michel Temer, durante o período em
que esteve à frente da articulação, se queixou diversas vezes de que acordos
costurados por ele foram depois minados por Mercadante. Mesmo o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já pediu reiteradas vezes a mudança do ministro. Uma
das possibilidades mais fortes seria manter a Secretaria de Relações Institucionais
- que é a responsável direta pela relação com o Congresso - sob o comando da
Casa Civil e nas mãos de Giles Azevedo, assessor especial e homem de confiança
de Dilma. O nome de Giles é elogiado e a mudança seria aceita pela base aliada,
disseram as fontes, desde que Mercadante não se mantenha como ministro. Apesar
das pressões, o chefe da Casa Civil ainda é visto por Dilma como um de seus
auxiliares de maior confiança e a decisão, avaliam as fontes, não será fácil de
ser tomada. Além de tirar Mercadante da Casa Civil, Dilma terá que encontrar
outro posto para o ministro. Três nomes têm circulado como possíveis
substitutos: Aldo Rebelo, atual titular de Ciência e Tecnologia, que já foi
chefe da Secretaria de Relações Institucionais no governo Lula e tem ótimas
relações no Congresso, mas não teria o perfil gerencial exigido pela pasta; o
ministro Jaques Wagner, atualmente na Defesa, preferido de Lula e que tem as
duas características; e a ministra da Agricultura, Katia Abreu, cujo nome subiu
nas bolsas de apostas nesta quarta-feira.
(Brasil247)
