Passar raspando no final do ano, com notas no limite da média e
com aquela ajudinha da professora. Quem nunca? André Souza nunca. Nascido
na favela de Vera Cruz, em Belo Horizonte, o brasileiro de 34 anos sempre ralou
muito para garantir boas notas logo no primeiro semestre. A determinação e a
disciplina para os estudos o levaram para bem longe da comunidade em que foi
criado, pelo pai, motorista de ônibus; e a mãe, manicure. Atualmente,
André tem o título de PhD, é professor e pesquisador do departamento
de Psicologia da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos. As dificuldades
foram muitas: a família, simples, foi despejada duas vezes e chegou a morar em
um galpão por um período. Quando não tinha luz, por falta de pagamento, o
pai acendia velas para que as crianças não deixassem de fazer a lição de casa. A
família, segundo André, foi a base mais forte quando a vontade de desistir
aparecia, e os pais nunca permitiram que os filhos deixassem os estudos para
trabalhar. Na comunidade, oportunidades para ganhar dinheiro “fácil” também
surgiram, mas André dispensava. “Uma coisa que meus pais sempre me ensinaram: a
gente pode ser pobre, mas não precisa ser desonesto.”
(Terra)