Um
país pobre como o nosso pode acreditar na honestidade da vida política? Uma
campanha de um candidato a deputado estadual de um partido como o PMDB, para se
eleger, terá um gasto superior a 1 milhão de dólares. Isso se for um candidato
conhecido.
Nos
quatro anos de mandato, esse mesmo candidato não ganhará mais do que R$ 600
mil, no máximo. Tendo gasto R$ 2,4 milhões, quem compensará a diferença?
Como se vê, nas prestações de contas, mesmo o parlamentar perdendo dinheiro e
tendo que pagar a sua campanha, seu patrimônio sempre aumenta. Isso
considerando um candidato conhecido, já com mandato. Imagina os candidatos
que se elegem a primeira vez, sem nenhuma base política, devem gastar mais de 2
milhões de dólares.
Alguém
pode acreditar na honestidade desse senhor que vai para a Assembleia
Legislativa fiscalizar e legislar em nome do povo? E no fim do seu mandato
sempre tem o seu patrimônio maior do que quando se candidatou pela primeira
vez. Essas observações são para um deputado estadual. Imagina, senhores, para
um deputado federal, o gasto não será menor do que 5 milhões de dólares. E a
receita desses senhores não será maior do que R$ 1 milhão nos quatro anos de
mandato.
Como
o povo pode acreditar que esses senhores vão defender os seus interesses? A
opinião pública, os formadores de opinião, se preocupam com as corrupções, como
têm que se preocupar. Mensalão, Pasadena, Alstom, Metrô de São Paulo,
privatizações, "anões do orçamento",
estádios superfaturados, Odebrecht, Andrade Gutierrez, e todos os
outros alavancadores de corrupção. Tudo isso faz com que o povo tenha
certeza de que um senador eleito, tendo gasto em uma campanha mais de R$ 20
milhões e não ganhando nos oito anos de mandato mais do que R$ 4 milhões, tendo
feito, então, em prejuízo de mais de R$ 15 milhões, pois o que gastou em uma
campanha que se elegeu, menos a receita. O povo pode acreditar que esse senhor
vai defender os seus interesses?
Depois de tantos absurdos onde o povo, mesmo o
mais pobre, está absolutamente esclarecido que isso não é normal. As campanhas
em países desenvolvidos, pode haver algum interesse dos políticos em defender
segmentos empresariais, já que esses políticos eleitos com financiamentos
privado podem ser lobistas desses empresários. Mas em um país que o gerador de
lucro e negócios é o estado, o município ou a União, com certeza o povo sabe
que todos esses escândalos que nós vimos e que destroem o Brasil há mais de 60
anos pela bactéria da corrupção, continuará sendo essa mesma bactéria
destruidora da dignidade, da moral das instituições brasileiras. Ou se faz uma
reflexão urgente dessas barbáries, ou nosso futuro os sociólogos deveriam dar
um diagnóstico, imediatamente.
(Editorial: Jornal do Brasil)