02 novembro 2012

EDITORIAL: Governo e responsabilidade


Será que os governos estão cumprindo as determinações constantes na Carta Magna do País? Diz o dito popular que “Os governantes são a cara dos governados. E o povo é o espelho dos seus dirigentes”. Este clichê popular parece não combinar com as atribuições de muitos governos, visto que os governantes não se identificam com os governados e nem o povo é o espelho dos seus dirigentes. A população por vezes fica ofuscada pelas artimanhas dos governos, pelas atitudes insanas que partem de cúpulas governamentais. O povo está impedido de ver, ouvir, mais ainda de opinar. É quase como oculto, encoberto, turvo, obscurecido.

O deslumbrar não existe mais, mas poderia ser bem diferente. Em sociedades democráticas aqueles que vendem seus votos ou os trocam por dinheiro, jogos de camisas de futebol, bolas, promessas de empregos estão de vistas turvas, pois a única arma forte que possuem se transforma em pequeno traque. Fazem jus aos governantes demagogos, desonestos, mentirosos e aproveitadores. E para alguns casos, infelizmente, a justiça se vê de braços curtos, não conseguindo por isso alcançar os velhos e conhecidos corruptos.

São os tidos “doninhos” dos cargos que ocupam e dos lugares que governam, transformando o écran que dominam nas velhas e malfadadas oligarquias. A nossa sociedade em sua maioria é carente de educação, de saúde, de segurança e de cidadania. O que deve ser cumprido ainda não está bem assimilado por esta maioria, Infelizmente! Lembremo-nos que governo e governantes são sinonímias que não devem ser confundidas. Jamais as necessidades pessoais podem influenciar nas necessidades da população, mas infelizmente por vezes ocorre o contrário. Os que estão num patamar mais alto só pensam em si e na locupletação.

O povo deve saber o que quer para si, para suas famílias, filhos e netos, pois o bom feito trará proveito para os futuros herdeiros da sociedade brasiliana. A somatória dos desejos deve ser planejada e com aspectos altamente positivos. Governo que se preza jamais deseja o analfabetismo do seu povo, no sentido amplo da palavra. O Educador Américo Marques Canhoto relata com todas as nuanças a maneira certa e prática de como educar para um mundo novo, mas infelizmente é mais uma fonte que deságua em mares nunca dantes navegáveis.

Há governantes que insistem no proveito próprio em detrimento de bem comum. Agindo assim, pode ser porta de entrada para a proliferação da miséria, da fome e da violência que vão se alastrando país afora. Há quem queira continuar vislumbrando as cenas dantescas de crianças de ruas se prostituindo, drogando-se e assaltando os trabalhadores e transeuntes pelas cidades afora? Vícios culturais criam deficientes cívicos. E os mais deficientes cívicos são os que se embrenham na política vil e rasteira. 

Lembremos a música de Jair Rodrigues: 
“Deixa que digam, que pensem, que falem. Deixa isso pra lá, vem pra cá o que que tem. Eu não estou fazendo nada e você também. Faz mal bater um papo assim gostoso com alguém?”
Este é o famoso melô e melômele de alguns políticos que “nos representam”.

A tolerância de ponto dada ao setor público não é apenas uma enorme incongruência política, a comprovação do medo em perder eleições, mas também uma falta de respeito pelas pessoas. Esse tipo de tolerância não é um pormenor, mas prova de governo que não se respeita e pouco tenta para se fazer respeitar.

Ninguém merece e deseja um governo fraco.

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