21 setembro 2020

BRASIL: Vacinação de crianças despenca na pandemia e volta às aulas preocupa

Foi por medo da pandemia do novo coronavírus que a doula Yasmin de Nizo, 27, preferiu não levar a filha, Amora, para ser vacinada este ano. "Ela não tomou a vacina tríplice porque estava em falta em Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo). Quando disponibilizaram, começou a pandemia e eu não a levei por medo de contaminação", diz. "Mas agora que a pandemia não acaba nunca, estou revendo minha decisão", diz Yasmin, que teme a volta às aulas e a possibilidade de a filha adoecer na creche, onde iniciava adaptação. "Vou levá-la ao posto para vacinar e não vou deixar que ela volte para a escola." Assim como Yasmin, não foram poucas as mães e pais que tiveram receio de vacinar seus filhos nos últimos meses, afirma a pediatra Flávia Bravo, presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações). Embora o governo tenha criado um protocolo de vacinação, com fluxo separado do atendimento de covid-19, faltou esforço para esclarecer a população sobre ele, diz. "O governo precisa reforçar a divulgação de suas campanhas no rádio e televisão, onde mais gente toma conhecimento." O índice de vacinação de crianças no Brasil, que já vinha registrando queda nos últimos anos, despencou em 2020 durante a pandemia, revelam dados do PNI (Programa Nacional de Imunizações). Embora a meta anual brasileira seja vacinar entre 90% e 95% das crianças com até um ano de vida, esse índice não passou de 61% entre janeiro e julho deste ano.


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