02 dezembro 2019

"PRETO E GORDO": Como o bullying afeta a autoestima de crianças negras


Durante a aula de História que abordava o período escravocrata do país, em uma escola particular de um colégio tradicional em São Paulo, a aluna Isadora ouviu a seguinte brincadeira de um de seus colegas: ‘’Vai trabalhar, Isadora”, disse o garoto, imitando o barulho do chicote. Quem conta a história é a gerente de compliance Andreia Dias, a mãe de Isadora, que até 2018 era a única aluna negra da sala. ‘Minha filha não entendia que aquilo era racismo. Tive que antecipar a discussão. Naquela idade, ela acreditava que aquilo acontecia por que se sentia feia. Não entendeu que ele estava chamando ela de escrava. ”, desabafa a executiva. Em episódios como os que aconteceram com a filha de Andreia e o filho de Mateus Barboza, que pediu ajuda do pai durante uma festa porque o amigo foi chamado de ‘preto e gordo’, é possível perceber que as crianças reproduzem as dinâmicas do preconceito racial no Brasil.  É o que diz a psicóloga e estudiosa das relações raciais Beatriz Moreira. “O diálogo é difícil”, explica ela. “Quando a criança percebe algum ato racista, ela constrói a concepção do que vê no mundo. Se o pai não assegura e não dá aquela correção, é na ausência dessa correção de que é errado é que a criança vai introjetando que aquilo é normal.”
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