16 dezembro 2019

EU QUERO SER REELEITO. TOPA? Ele só pensa nisso. Só quer isso. Não governa, não articula e nem sequer formula propostas de mudanças


Ao apostar em sua futura campanha de reeleição, o presidente Jair Bolsonaro abriu mão de governar, tornando meras promessas as prioridades de recuperação econômica e na adoção de uma cartilha racionalmente liberal.

Na esteira dessa decisão, o presidente criou atritos — calculados ou espontâneos — desnecessários com quem é próximo ou já lhe prestou algum apoio no passado recente. Tudo para manter a popularidade junto ao seu nicho eleitoral mais fiel, que lhe rende cerca de 30% de aprovação, com um apoio praticamente cego de, no máximo, uns 20%, condição que lhe deixaria perto de um eventual segundo turno — ainda que seja cedo demais para pensar seriamente nisso.

Este índice se manteve na última pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na semana passada. O resultado, porém, é preocupante para as ambições do governo. Desde a redemocratização, só Collor teve popularidade inferior a Bolsonaro no primeiro ano de governo. Ficou com 23% após seu desastroso plano econômico que confiscou a poupança. Dilma, Lula e FHC terminaram os mesmos períodos com aprovações de 59%, 42% e 41%, respectivamente.

Para Lula e Fernando Henrique, os cenários econômicos internos e externos foram bem mais desafiadores, exigindo articulações políticas complexas. O que deveria alarmar o núcleo do governo são os 36% de reprovação que o presidente angariou nesses 11 meses de mandato. Outro dado preocupante é que 80% dos pesquisados dizem desconfiar das suas declarações, com 43% duvidando “sempre” daquilo que ele diz.
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