27 junho 2019

FRONTEIRA ENTRE EUA E MÉXICO: Que a imagem sirva para evitar novas mortes


A repórter mexicana Julia Le Duc havia chegado lá um dia antes, quando, após algumas chamadas de emergência, recebeu um aviso de que algo estava acontecendo nas margens do Rio Grande, em Matamoros, Tamaulipas. "No domingo disseram à polícia que havia uma mulher gritando na praia. Quando eu cheguei lá, vi uma mulher muito jovem, Tânia Valdés Ávalos, que estava muito mal, contando que a família, o marido e a filhinha pequena haviam sido levados pelo rio", disse a correspondente do jornal mexicano La Jornada à BBC News Mundo. As autoridades iniciaram a busca pelos corpos, mas a suspenderam de madrugada pelos riscos no local. "Alguns repórteres chegaram na manhã seguinte quando a busca foi retomada e os corpos apareceram pouco depois das 10h. Nós que estávamos lá tiramos as fotos e a surpresa foi que os dois corpos emergiram juntos e abraçados." As imagens do salvadorenho Óscar Alberto Martínez Ramírez, de 25 anos, e sua filha Valeria, de um ano e 11 meses, rapidamente se tornaram virais e um testemunho gráfico dos perigos e tragédias que milhares de migrantes enfrentam todos os dias em sua tentativa de alcançar os Estados Unidos. De acordo com vários relatos, Martínez, sua esposa e sua filha chegaram no domingo passado em Matamoros depois de esperar por mais de dois meses em um centro migratório no México pela possibilidade de buscar asilo nos Estados Unidos. Ao constatar que o escritório de imigração local estava fechado naquele dia, o homem decidiu atravessar: pegou a menina, nadou com ela para a outra margem e a deixou em terra firme antes de voltar para buscar sua esposa. No entanto, de acordo com o testemunho da mãe, a menina, vendo que o pai estava se afastando, voltou para a água. Quando Martínez voltou para pegá-la, ambos foram varridos pela correnteza.

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