A decisão do ministro Luís Roberto
Barroso, do Supremo Tribunal Federal, de suspender a Medida Provisória
886/2019, que transferia a demarcação de terras da Fundação Nacional do Índio
(Funai) para o Ministério da Agricultura, foi mais uma dura derrota do
presidente Jair Bolsonaro nos últimos dias. Antes, o governante já acumulava
reveses impostos pelos outros Poderes na reforma da Previdência, na
flexibilização da posse e porte de armas e na reorganização ministerial, entre
outros. Foi uma das mais doloridas. O Senado aprovou por 47 votos a 28 um
projeto que revogou o decreto presidencial 9.785/2019, que flexibilizava a
posse e o porte de armas – entre outras medidas, estendia o direito a mais de
vinte categorias profissionais e aumentava de cinquenta para 5.000 o número de
munições para cada proprietário de arma de fogo.
DECRETO DAS ARMAS
No dia da votação, o presidente
chegou a usar as redes sociais para pedir aos senadores que não derrubassem o
seu decreto. Após a derrota, lamentou e perguntou se o Congresso estava
querendo mandar um “recado” para ele. “Ninguém manda recado para mim”, disse.
Depois, pediu que os deputados revertessem a decisão. Mas o presidente da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), praticamente enterrou a esperança presidencial
ao dizer que a Casa deve manter o que foi decidido pelos senadores.
COAF LONGE DE MORO
Outra derrota doída, mais ainda
para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, do que para o
próprio presidente. O ex-juiz da Lava Jato chegou a fazer até o que não sabe
muito: procurou deputados e senadores para conversar e pedir que mantivessem o
Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) na sua pasta, como
previa a MP 870/2019, assinada por Bolsonaro – antes, era vinculado ao Ministério
da Economia.
FUNAI COM A “MAMÃE DAMARES”
A mesma MP 870/2019, que
promovia a reforma administrativa, também previa a transferência da Funai do
Ministério da Justiça – Moro, inclusive, não queria ficar com o órgão – para o
Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares
Alves. A ministra, aliás, chegou a fazer piada antes da votação.
SISTEMA DE CAPITALIZAÇÃO
Considerado o nome mais
importante da esquadra ministerial, o ministro Paulo Guedes (Economia) também
colecionou suas derrotas no projeto de reforma da Previdência, com o qual
pretendia economizar mais de 1,1 trilhão de reais – as estimativas mais
otimistas agora falam de 800 milhões de reais a 900 milhões de reais.
EXTINÇÃO DE CONSELHOS
No dia 13 de junho, o plenário
do STF decidiu impedir, provisoriamente, que o presidente extinguisse conselhos
da administração pública federal que tenham amparo em lei. Foi a primeira vez
que o plenário da Corte analisou uma ação que contesta ato do atual presidente.
ORÇAMENTO IMPOSITIVO
Contrariando a vontade do
governo, que defende um manejo mais flexível das receitas da União, o Congresso
desarquivou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estava parada no
Legislativo desde 2015 e aprovou a ampliação do chamado Orçamento Impositivo.

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