Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é
o segundo tipo que mais acomete mulheres no país, atrás apenas do melanoma. O
diagnóstico precoce, geralmente realizado em exames de rotina, aumenta as
chances de cura da doença. Vale reiterar a importância do médico patologista
para o diagnóstico da doença. A patologista Cristiane Nimir, especialista em
mama e integrada ao núcleo de mastologia do Hospital Sírio-Libanês, esclarece
algumas dúvidas sobre o assunto:
1 - Qual o melhor método para detecção
do câncer de mama?
Não existe um único método. O diagnóstico é multidisciplinar por
envolver diversos profissionais da área da saúde com papéis diferentes como o
mastologista que faz o exame clínico, o radiologista responsável pelos exames
de imagem e o patologista que analisará, se necessário, uma eventual biópsia ou
punção aspirativa da lesão.
2 - Quando a biópsia é indicada?
Os exames clínicos e de imagem determinam a necessidade ou não de uma
biópsia (procedimento invasivo no qual pequeno fragmento da lesão é amostrado).
O exame anatomopatológico realizado pelo patologista determina se a lesão
estudada é de caráter maligno ou benigno. De posse de todos estes resultados a
equipe multidisciplinar define o melhor tratamento para a paciente.
3 - Qual o tipo de exame mais frequente
para diagnóstico?
A modalidade mais utilizada para rastreamento é a mamografia. Este exame
é capaz de detectar lesões ou alterações no tecido mamário que são suspeitas de
neoplasia. A mamografia tem resolução e capacidade de identificar lesões em
mamas menos densas. A mama de pacientes acima de 45 anos começa a ter menor
densidade e assim permite diagnóstico de lesões menores, ainda no início. Em
mama de pacientes mais jovens, abaixo dos 45 anos, é recomendada a
ultrassonografia em associação ou não com a mamografia. Outra modalidade é a
ressonância nuclear magnética, que tem indicações mais precisas, em especial no
contexto de câncer de mama familiar e neoplasia lobular. Os exames de imagem
detectam a presença de nódulos ou alterações no tecido mamário, e a indicação
para realização da biópsia. O diagnóstico definitivo só é possível com a
análise do tecido mamário pela biópsia (pequeno fragmento) ou citologia (um
aspirado feito com agulha).
4 - Quando a ultrassonografia é
indicada?
A ultrassonografia é capaz de identificar lesões em tecidos mais densos.
Vale uma ressalva, câncer de mama em paciente com menos de 30 anos é um evento
raro e, quando ocorre, apresenta-se com características passíveis de serem
detectadas pela mamografia.
5 - Quais as limitações que cada exame
tem?
A maioria das limitações se enquadra da impossibilidade de definir com
100% de certeza se a imagem detectada representa um câncer ou tecido normal da
mama. Quando um tecido no estudo de imagem é tido como suspeito, entra em cena
o patologista que determina se a lesão estudada é de caráter maligno ou benigno
a partir de uma pequena amostra da mesma. Às vezes, esta definição também é
difícil para o patologista, que ainda tem a alternativa de utilizar exames do
tipo imuno-histoquímica para auxiliá-lo no diagnóstico.