25 setembro 2015

Mancha de poluição no Tietê dobra de tamanho

A mancha de poluição no Rio Tietê dobrou de tamanho em apenas um ano, aponta relatório da Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado na quarta-feira (23). Monitoramento feito pela entidade em 109 pontos de coleta distribuídos em 26 cidades e 78 corpos d’água mostra que o trecho considerado “morto” do principal rio paulista cresceu de 71 km de extensão em 2014 para 154,7 km neste ano, um aumento de 118% que rompeu os limites da Grande São Paulo. Agora, o trecho no qual a qualidade da água é classificada como ruim ou péssima vai de Mogi das Cruzes, a 60 km da nascente, em Salesópolis, até o município de Cabreúva (a 214,7 km da nascente), no interior, um retrocesso ao cenário de 2012. O monitoramento foi feito ao longo de 576 km do rio, entre Salesópolis e Barra Bonita, de setembro de 2014 a agosto deste ano. No relatório anterior, a mancha anaeróbica ia de Guarulhos a Pirapora do Bom Jesus. No início do projeto de despoluição do Tietê, em 1993, a mancha de poluição estava em 530 km, de Mogi das Cruzes até Barra Bonita. No fim de 2010, ao término da segunda etapa do Projeto Tietê, o trecho era de 243 km, de Suzano até Porto Feliz. O novo cenário apontado pelo levantamento mostra que a meta de universalização do saneamento em São Paulo e recuperação dos rios até 2020 ficou mais difícil de ser atingida. Coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro atribui o retrocesso na despoluição do Tietê, cujo projeto foi iniciada em 1993, a três fatores: 1) os eventos climáticos extremos ocorridos entre 2014 e 2015 (temporais e estiagem); 2) a paralisação de programa Córrego Limpo, parceria entre a Prefeitura de São Paulo e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp); 3) o aumento dos lançamentos de esgoto nos cursos d’água em cidades com empresas próprias de saneamento, como Guarulhos e Mogi das Cruzes. “Os eventos climáticos extremos afetam diretamente a qualidade da água do rio, principalmente a seca, que diminui drasticamente a vazão do rio e, com isso, aumenta a concentração de poluentes. Já a paralisação do programa Córrego Limpo eleva os índices de qualidade da água ruim nos principais afluentes do Tietê, enquanto que o aumento dos lançamentos de esgoto nesses municípios que não são operados pela Sabesp tornam ainda mais difícil a missão de despoluir o rio”, explica Malu Ribeiro. Em nota, a Sabesp informou que “o processo de despoluição do Rio Tietê é gradual e depende não apenas das ações da companhia como também das prefeituras de municípios da bacia”.
(JCnet)
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