07 agosto 2015

'Nem governo nem oposição têm a saída', diz sociólogo sobre crise

O sociólogo Brasilio Sallum, autor do recém-lançado livro O Impeachment de Fernando Collor, não vê saída para a crise política atual porque o governo da presidente Dilma Rousseff não tem clareza da direção a tomar nem a oposição tem "horizonte" a seguir. Para o professor da USP, os movimentos que defendem o afastamento da petista têm força para "empurrar" os partidos, mas isso é insuficiente para desencadear o processo político em si. Perguntado se é possível o governo sair da crise política, o sociólogo disse que "passamos por incertezas que não têm respostas claras nem do governo nem da oposição. Paulatinamente, estamos amadurecendo". Ele reconhece que o fato de o governo tentar hoje ajustar as contas "já é um enorme avanço" em relação ao que antes da eleição se dizia, de que não estávamos em crise econômica, que o mundo era uma maravilha. "Nós, pelo menos hoje, temos absoluta consciência de que devemos fazer alguma coisa. A crise política é grave por, no mínimo, três razões: pelo fato de a presidente ter perdido autoridade, pelo enfraquecimento da coalizão e pela baixa popularidade de Dilma. Por outro lado, as forças que se opõem a ela não têm horizonte claro a perseguir. Não sabemos a qual direção a presidente quer levar o País." Segundo Sallum, como não estamos vendo uma coalizão definida e clara, que trabalhe especificamente pelo impeachment, "não se pode dizer que hoje haja beneficiários. Como funciona o processo? Você tem oposições, que se organizam contra o presidente, mas ao mesmo tempo se organizam em favor do vice. Na época do ex-presidente Fernando Collor, houve isso: uma coalizão entre PMDB, PSDB e PT, que se articularam contra o Collor, conseguiram maioria e atraíram ex-aliados do ex-presidente. É isso que não existe hoje".
(Notícias ao Minuto)
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