Ao entregar argumentos, ainda que confusos e sem
coerência, para alimentar a narrativa de Jair Bolsonaro de que está sendo
perseguido pela Justiça brasileira, o ministro Luiz Fux garante a manutenção do
seu visto para os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, joga os colegas na fogueira
de Donald Trump.
E para evitar ser contrariado pelos demais
ministros em posições consolidadas do STF, como também impedir ser confrontado
com suas próprias decisões passadas, ele não permitiu apartes de colegas.
Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques, os dois
últimos indicados por Jair Bolsonaro, não foram afetados pelas medidas
punitivas do norte-americano, que incluíram restrições de visto e sanções
financeiras, especialmente direcionadas a Alexandre de Moraes. O ministro tem
sido celebrado pelo bolsonarismo como alguém que escuta suas preces.
Certamente, o ministro calculou que ficar ao lado
de Moraes, que está apanhando que nem Judas em Sábado de Aleluia, vai levá-lo a
ser alvo também. E tudo o que ele não deseja é ser colocado nos holofotes, até
para não ser prejudicado em sua vida pessoal ou seus negócios.

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