24 março 2025

De volta à história: Ainda estamos aqui - Parte I


A volta às histórias de vida de Eunice e Rubens Paiva, que o filme “Ainda estou aqui” tornou possível, suscitou uma onda de empatia com aquela família, assim como com milhares de outras famílias, que passaram por terríveis sofrimentos durante a ditadura militar. O filme possibilitou também que brasileiros desmemoriados ou mal-informados tomassem conhecimento desses fatos, e de como eles afetaram a vida de pessoas comuns.


A memória coletiva sobre erros do passado, visando a sua não repetição, é algo importante de ser cultivado. A Alemanha tenta não esquecer dos crimes do nazismo, sempre informando à juventude sobre o ocorrido. Mesmo assim, lá o perigo agora renasce, com a adesão de boa parte da população a partidos neonazistas, e com dirigentes governamentais apoiando o genocídio em Gaza.


Entre nós, o importante trabalho de manter a memória dos tempos da ditadura militar tem sido pouco efetivo. Os horrores daquele período vão sendo esquecidos ou relativizados. Milhões de eleitores acharam possível votar em alguém que defendia a ditadura, assim como os torturadores. No final, como esperado, houve a tentativa de um golpe de estado. Isso deveria fazer soar o sinal de alarme entre as pessoas de bem. Talvez os levantamentos das Comissões da Verdade não tenham atingido a sensibilidade da maioria dos brasileiros, gerando uma vacina contra o totalitarismo.


Algo que o filme de Walter Salles ensina é que é preciso chegar até à fonte das emoções das pessoas, aquilo que é compartilhado por todos os seres humanos. É preciso mostrar que a ditadura não perseguia apenas os que ativamente militavam contra ela. Ela era um mal na vida cotidiana de cada um.


(Por R
oberto Anderson)
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