Pouco meses antes de ser
condenado pelo então juiz Sérgio Moro, Lula foi aconselhado por amigos a pedir
asilo a algum país, alegando ser um perseguido político. Ele negou-se a
fazê-lo. No dia 7 de abril de 2018 quando foi preso para cumprir uma pena de 12
anos e 1 mês de reclusão, Lula disse aos que o ouviram discursar em São
Bernardo do Campo antes de se entregar: “Morro preferindo a dignidade à
liberdade”. Além de considerá-las irregulares, o Supremo concluiu que Moro
comportou-se na condução dos processos como um juiz “parcial”, fazendo o jogo
dos procuradores que acusaram Lula.
A Bolsonaro, só a
liberdade interessa, às favas com a dignidade e com o que os brasileiros possam
vir a pensar sobre sua culpa na tentativa violenta de abolir a democracia via
um golpe de Estado. Quantas cabeças ao seu redor Bolsonaro não decepou durante
seu desgoverno para livrar-se de culpas que poderiam pesar sobre a sua? Nada de
estranho, portanto, que proceda assim mais uma vez.
É o que já se começa a
ver. O advogado Paulo Amador Bueno, que o representa, afirmou ontem que é “crível”
que Bolsonaro tenha sido abordado por aliados com propostas de golpe de Estado.
O relatório de mais de 800 páginas da Polícia Federal diz que Bolsonaro atuou
diretamente na ofensiva antidemocrática. Ele foi indiciado ao lado de 36
pessoas por tentativa de golpe.
Caso essa seja a linha de
defesa de Bolsonaro quando for denunciado pelo Procurador-Geral da República,
significa que o ex-presidente culpará os militares pelo golpe que fracassou. Por
que o espanto? Bolsonaro é covarde, sempre foi, e não deixará de ser agora. O
que só servirá para que implicados no golpe acabem contando o que ainda não
contaram a respeito dele.

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