18 janeiro 2024

Nem geleia, nem iogurte: Argentinos cortam a lista do mercado

"Antes as pessoas compravam o essencial e um pouco a mais: como uma geleia, um iogurte, mas agora elas só entram aqui para levar o básico. Os produtos que vendemos aumentaram uns 60% nas últimas semanas. Como estão os preços no Brasil?", me pergunta Sabrina, proprietária de uma loja de produtos naturais, conhecida como dietéticas, muito comuns em Buenos Aires. Em novembro de 2023, o estabelecimento, no bairro de Chacarita, tinha filas, segundo Sabrina. Mas, desde as medidas econômicas encabeçadas pelo governo de Javier Milei, "o consumo diminuiu muito, pelo menos uns 60%", afirmou. Apesar da crise econômica crônica na Argentina, a classe média pós-pandemia seguia consumindo. Prova disso eram bares e restaurantes portenhos lotados de segunda a segunda. A justificativa de economistas é que o argentino que não tinha condições de guardar dinheiro por causa da desvalorização da moeda preferia gastar em comida e viagens nacionais, dois valores culturais para o argentino. Andando pelas ruas de Buenos Aires hoje é possível notar que estabelecimentos que antes ficavam cheios, como supermercados, açougues e quitandas, assim como cafeterias, estão com o consumo reduzido, com menos pessoas circulando. Funcionário de um supermercado em Buenos Aires troca preços de produtos diariamente com valores atualizados.

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