Depois
de atravessar uma via-crúcis de fake news e até ser alvo da operação Lava-Jato,
uma escultura de 1,5 metro em madeira de um Cristo crucificado voltou ao
gabinete presidencial de Lula, no Palácio
do Planalto. A peça, que ficou no local durante o primeiro e o segundo mandatos
do petista, foi restaurada e recolocada no espaço que a abrigou por oito anos. A
obra, esculpida por um artista português do século XVI, foi dada de presente a
Lula em 2003 pelo amigo José Alberto de Camargo, que foi diretor da Companhia
Brasileira de Metalurgia e Mineração. A sugestão do presente foi dada pelo
também amigo de Lula, Frei Betto, que abençoou o gabinete quando o crucifixo
foi colocado. Ao deixar o governo, Lula levou o Cristo talhado em madeira
consigo, por fazer parte de seu acervo pessoal. A retirada da escultura deu
início a uma série de notícias falsas. A ausência da peça no gabinete de Dilma
Rousseff culminou em movimentos sobre um suposto ateísmo da então presidente e
a campanha nas redes “Devolve, Lula”. Anos
depois, a escultura seguia como alvo de desejo dos procuradores da operação
Lava-Jato. Mensagens da força-tarefa de Curitiba interceptadas por hackers
mostraram que os investigadores acreditavam que Lula havia roubado o objeto e
poderia ser preso por crimes como lavagem de dinheiro e peculato, com a peça
achada em um cofre do Banco do Brasil, onde estava seu acervo.
(OGlobo)

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