21 março 2023

Pacto verde: Agro se adapta ou terá que vender a preço de banana

A agenda "descarbonizante" é uma realidade global e precisa ser encarada de frente. O Pacto Verde europeu não incide apenas em cima de seus países membros, mas puxa parte do restante do mundo nessa mesma direção e joga para escanteio quem não seguir as regras. O que adianta safras recordes brasileiras se podemos não ter espaço para escoar os produtos que não passarem pelo padrão ambiental exigido? E ainda, numa forte concorrência global, se o Brasil não fizer o dever de casa, alguém toma o seu lugar. Além de cobrar a já apelidada “taxa do mercado de carbono” para entrada no bloco de aço, ferro, alumínio, eletricidade, fertilizantes e cimento, a União Europeia ainda impõe o rastreamento dos produtos agropecuários. O objetivo é impedir a entrada de agropecuários e extrativistas que tenham relação com o processo de desmatamento. E isso vale para toda a cadeia e não somente ao cultivo principal. Ou seja, qualquer traço em um elo mínimo do processo produtivo, já é motivo para o veto. Assim, os exportadores agrícolas terão incorporado entre as suas atividades a da fiscalização não só sobre seus negócios diretos, mas de todos os que perpassem por ele. Mesmo que estejam com tudo aparentemente certo, podem ser barrados caso, por exemplo, tenham usado adubo ou ração de terceiros com irregularidades socioambientais.

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