No dia 7 de setembro, o
presidente Jair Bolsonaro chegou ao ponto de combustão pelo que disse à tarde
em comício na Avenida Paulista e pelo que aconteceu de madrugada em Brasília
com a invasão da Esplanada dos Militares por centenas de seus devotos. O plano
deles, avalizado por Bolsonaro, era ocupar o prédio do Supremo Tribunal Federal
e capturar alguns dos seus ministros. O de Bolsonaro, dar uma demonstração de
força que, se bem-sucedida, poderia até resultar num golpe. Ora, por que não? As
Forças Armadas assistiriam a distância sem sujar as mãos. Caminhoneiros paralisariam
o país como de fato tentaram. A reação de ministros do Supremo pôs tudo a
perder, bem como a ausência nas ruas de policiais militares bolsonaristas
armados. No dia seguinte (8), Bolsonaro reuniu seus ministros e garantiu que as
manifestações da véspera provaram que o povo está ao seu lado para o que der e
vier. E disse que não mudaria de comportamento para não perder o voto dos seus
apoiadores. Os ministros militares Braga Netto (Defesa), Augusto Heleno
(Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria do
Governo) deram-lhe inteira razão. Os ministros políticos, com jeito, sugeriram
que suavizasse as falas.
(Ricardo Noblat)

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