11 setembro 2021

Noblat: Jairzinho paz e amor tem prazo de validade curto


No dia 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro chegou ao ponto de combustão pelo que disse à tarde em comício na Avenida Paulista e pelo que aconteceu de madrugada em Brasília com a invasão da Esplanada dos Militares por centenas de seus devotos. O plano deles, avalizado por Bolsonaro, era ocupar o prédio do Supremo Tribunal Federal e capturar alguns dos seus ministros. O de Bolsonaro, dar uma demonstração de força que, se bem-sucedida, poderia até resultar num golpe. Ora, por que não? As Forças Armadas assistiriam a distância sem sujar as mãos. Caminhoneiros paralisariam o país como de fato tentaram. A reação de ministros do Supremo pôs tudo a perder, bem como a ausência nas ruas de policiais militares bolsonaristas armados. No dia seguinte (8), Bolsonaro reuniu seus ministros e garantiu que as manifestações da véspera provaram que o povo está ao seu lado para o que der e vier. E disse que não mudaria de comportamento para não perder o voto dos seus apoiadores. Os ministros militares Braga Netto (Defesa), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria do Governo) deram-lhe inteira razão. Os ministros políticos, com jeito, sugeriram que suavizasse as falas. Pediu arrego a Michel Temer. Na manhã do dia 9, mandou o avião presidencial buscá-lo em São Paulo para um encontro em seu gabinete. Temer desembarcou em Brasília com uma nota pronta para que ele assinasse. O resto é história conhecida.

(Ricardo Noblat)


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