Depois de intensificar a artilharia contra o Supremo Tribunal
Federal (STF), ameaçar não obedecer decisões judiciais e falar na imposição de
um "limite", o presidente Jair Bolsonaro viu ao longo dos últimos
dias uma série de determinações da Justiça que miraram apoiadores,
parlamentares, empresários e até mesmo o seu núcleo íntimo. A "semana dos
infernos", como está sendo chamada no Palácio do Planalto, começou com a
prisão de extremistas do grupo "300 do Brasil", avançou com a quebra
do sigilo bancário de 10 deputados e um senador bolsonaristas, prosseguiu com o
aval do Supremo ao inquérito das fake news e culminou com a prisão do
ex-assessor Fabrício Queiroz. Queiroz foi detido em um imóvel de Frederick
Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), no âmbito das
investigações de um esquema de "rachadinha" no gabinete do filho do
presidente da República na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O
caso foi revelado pelo Estadão. Ministros do STF e de tribunais superiores
ouvidos reservadamente pela reportagem avaliam que o conjunto de decisões
mostra que as instituições estão funcionando no País, apesar dos ataques
estridentes e do discurso dúbio do chefe do Executivo. Na última quarta-feira,
Bolsonaro citou o "povo" como escudo para blindar o seu governo, mas
depois subiu o tom e comparou o que vem pela frente a uma
"emboscada". A verdadeira "emboscada", avaliam
magistrados, pode ser a prisão de Queiroz, cujo desdobramento é considerado
imprevisível. Uma das especulações nos bastidores é se o ex-assessor poderia
aceitar um acordo de colaboração premiada, com potencial de incendiar a
República, levar à cassação do mandato de Flávio e dinamitar o governo.
20 junho 2020
Reginaldo Monteiro
Administrador do Blog
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