Foi um ano espantoso esse que se encerra nos próximos dias. De
arrepiar os cabelos. Muito menos pelo que trouxe de ralos resultados na
economia, na política, na área social. Surpreendeu especialmente pelo que se
gerou de polêmica, barbaridades ditas e adotadas por quem está no poder. Insano
relembrar ou relacionar. Foram tantas, todos os dias, sem trégua, num festival
de horrores. Capaz até de provocar um estado de torpor e paralisia na maioria
dos brasileiros. Entender e perceber o que experimentamos de afronta a princípios
minimamente civilizados e republicanos talvez ajude para que os mesmos erros
não voltem a se repetir no novo ano que se avizinha. O Brasil segue até aqui
dominado por uma frenética rinha de extremos.
Alimentada por quem deveria, na essência do papel de líder,
buscar a pacificação. Apaziguar os ânimos é uma tarefa hoje quase impossível. A
quem caberia depois disso tudo? Não surpreende mais a ninguém que o mandatário
Jair Bolsonaro, com o seu desprezo à verdade e ao debate democrático, esteja
completamente descartado como opção nesse sentido. Não conta como alternativa.
Quase a metade da população não acredita nele, revelaram as pesquisas.
O presidente, na prática, exibe por esses dias sinais eloquentes
de uma doença incurável. Certamente não a de câncer de pele, como ele próprio
havia anunciado para depois, em um hiato mínimo de horas, se desmentir. Parece
doente da cabeça mesmo e demonstrações nessa direção são abundantes. A da
autonegação entre elas.
Alguém que dá uma declaração pública, inequívoca, de que fez
exames e que, nas palavras dele, teria a possibilidade de apresentar um cancro,
para logo depois, na noite seguinte, atribuir a notícia a uma fake news
produzida pela imprensa, só pode estar lelé da cuca, em surto completo. Na
psiquiatria, a confusão mental da afirmativa seguida da negativa é tida como
evidência de distúrbio bipolar.
A figura do capitão à frente da estratégia, envolvido nela, dedicado exclusivamente a prioridades que atendem aos anseios do povo, contaria muito mais do que uma rede inteira de postos para injetar gás e fazer o País andar e avançar na direção correta. Na realidade, o Brasil faceiro, amigável e otimista teve de seguir quase sem piloto, desgovernado mesmo. Sorte que de maneira lenta. Daí o retorno à questão inicial: quem deveras poderá assumir a direção, reequilibrando o bólido na rota do desenvolvimento? O homem que trata a ambientalista juvenil Greta Tunberg de “pirralha” e se refere ao sociólogo Paulo Freire como “energúmeno” não está definitivamente apto para a tarefa. Que alguém logo se habilite e nos tire desse estado de sandice que prevaleceu em 2019.
(Trechos extraídos da coluna do autor)

0 comments:
Postar um comentário