27 novembro 2019

RECADO: Lewandowski diz que presidente está sujeito a impeachment por abuso de forças armadas


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, publicou uma carta “em defesa do Estado democrático de direito”, na Folha de S.Paulo, em coluna desta terça-feira (26). O documento é uma crítica direta à recente tentativa do presidente Jair Bolsonaro de usar as forças armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO). “Nem se imagine que a intervenção federal, o emprego das Forças Armadas em operações para garantia da lei e da ordem ou a decretação do estado de defesa e de sítio - estes concebidos para enfrentar graves comoções internas, calamidades públicas de grandes proporções e agressões armadas externas, dentre outras crises - podem prestar-se a sufocar franquias democráticas”, escreveu o ministro. O alerta do ministro vai além, com uma introdução de sete parágrafos ressaltando que em um país que tem sua história marcada por “recorrentes conspiratas” que impuseram “prolongados períodos de exceção”, a atual Constituição brasileira deixa claro que é “crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra o Estado democrático de Direito e a ordem constitucional”. “É que tais medidas extremas não só estão estritamente balizadas no texto constitucional como também se encontram submetidas ao controle parlamentar e judiciário quanto à legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, demarcação espacial e limitação temporal”. E encerrou: “O chefe do Executivo, responsável por sua decretação, sujeita-se a processo de impeachment caso venha a atentar contra o exercício dos direitos políticos, individuais ou sociais, extrapolando os rigorosos parâmetros que norteiam a atuação presidencial naquelas situações.”
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